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Mais uma vez venho conclamar as pessoas sensatas ou estúpidas, ignorantes ou esclarecidas, pobres ou ricas, boas ou más, enfim, todos os que se sintam humanos, para refletir sobre a néscia mania de queimar fogueiras.
À proximidade das principais festas juninas, que caricaturam homenagens aos santos João e Pedro, faz-se mister um novo alerta ecológico sobre o insensato hábito, fantasiado de tradição.
Ninguém mais precisa ressaltar a importância da ecologia hoje em dia. Por outro lado é inegável o valor das tradições, em nome da preservação histórica e cultural. Entretanto, o apego a determinados costumes pode denotar um enorme atraso e conseqüentes prejuízos à humanidade.
Defendem a queima de fogueiras porque defendem a cultura popular. Ora, se um hábito tradicional já não mais se coaduna com a época e o contexto em que está inserido, quando passa a prejudicar ou agravar outros valores, como o meio ambiente, que o repensem sem fanatismo. Cuidado, que tradição muitas vezes está ligada a fanatismo. E em nome dela enormes atrocidades foram, e ainda continuam sendo cometidas.
Houve tempo em que se praticou o canibalismo. Justificar-se-ia manter essa tradição? Queimar pessoas em fogueiras já foi um costume imposto e aceito pela sociedade. No mundo mulçumano muitos absurdos e injustiças são cometidos contra as mulheres. Em alguns lugares ainda se caçam baleias. Na China come-se cérebro de macaco vivo.
E no nordeste brasileiro queima-se madeira, numa noite funesta e agourenta como a de hoje. Milhares de metros cúbicos de oxigênio serão destruídos, toneladas de fumaça poluirão a atmosfera, já tão contaminada. Outras toneladas de troncos e galhos, dos últimos resquícios de mata que ainda nos permitem respirar, serão impunemente queimados. É a Inquisição da Natureza!
Bom e oportuno lembrar a frase do grande medievalista Gustave Cohen: “as trevas da Idade Média são na verdade as trevas de nossa ignorância.”
Germano Romero


