Práticas e costumes maléficos muitas vezes se valem da tradição para se perpetuarem impunes e com a aquiescência das pessoas. Tradição nem sempre é coisa boa. Fosse assim, ter-se-ia preservado o costume de comer carne de gente, das tradicionais tribos de canibais.
Semana passada, uma estúpida mania finalmente terminou sendo proibida na Inglaterra. O violento vício de caçar raposas, travestido de esportivo e perpetuado por três séculos – imaginem quantos indefesos bichinhos foram impunemente assassinados… – foi, enfim, proibido.
Não mais adiantaram as desculpas esfarrapadas em defesa de uma prática cultuada até por reis, príncipes, nobres e muita gente rica. Não adiantaram os argumentos de que o esporte sangrento gerava empregos e turismo. Os sofisticados clubes, verdadeiros latifúndios, apesar de terem todo o apoio da nobreza e do governo foram forçados a fechar suas portas, e a partir de agora encontrar outra forma de subsistência que não patrocine o sofrimento e a morte de animais.
Estaria mais do que na hora de os brasileiros reverem seus conceitos em torno do triste e infeliz espetáculo das vaquejadas. A humanidade em todo o planeta tem evoluído bastante em suas reflexões sobre o respeito à natureza, à ecologia, à preservação das espécies e aos direitos dos animais. Aqui no Brasil, as leis ambientais já proíbem claramente qualquer atividade que ofereça maus tratos aos bichos, sejam domesticados ou não.
Lamentavelmente somos o país da impunidade, onde o Ministério Público faz vista grossa porque é obrigado a ser provocado antes de agir em defesa da lei, por mais evidentes que estejam os crimes.Sigamos o exemplo da Inglaterra. Já proibimos briga de galo, pesca de baleia, por que ainda toleramos os nojentos rodeios e vaquejadas? Porque geram dinheiro? Porque são uma tradição? Por que há muitos adeptos sádicos e poderosos? Tudo isso foi por terra na terra das tradições, que é a Grã-Bretanha.
Se o respeito às raposas venceu até os reis, príncipes e lordes, por que o respeito aos touros e vacas não venceria simples e rudes vaqueiros?
Na maioria dos casos, tradição é sinônimo de puro atraso.

Germano Romero 

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