Trabalhar com conservação na Amazônia brasileira sempre foi uma missão difícil. As graves questões sociais e econômicas do país consomem a maior parte dos orçamentos públicos e uma conseqüência desse quadro é a crônica falta de recursos para políticas ambientais.

No Acre esse problema também existe. O Estado tem um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente R$ 3,2 bilhões, o segundo mais baixo entre as 27 unidades federativas do país.A falta de dinheiro acaba afetando as ações voltadas para a conservação do meio ambiente. O Pelotão Florestal da Polícia Militar do Acre, criado há oito anos, tem um efetivo de apenas 20 homens, responsáveis por patrulhar um território de mais de 150 mil quilômetros quadrados, dos quais quase 90% são cobertos por florestas.

Além de ter um efetivo reduzido, o Pelotão Florestal executa tarefas diversificadas. O grupo combate queimadas, retirada ilegal de madeira, pesca e caça ilegais, mas também auxilia famílias vítimas de inundações e deslizamentos e até mesmo responde a denúncias de violações da Lei do Silêncio em áreas urbanas, o que torna impossível atender a todas as demandas ambientais que aparecem.

Além de ter um imenso território florestal, o Acre é um estado que faz fronteira com a Bolívia e o Peru, fator que dificulta ainda mais o trabalho do Pelotão Florestal, já que fronteiras internacionais sempre demandam uma maior atenção por parte dos agentes da lei. Os policiais ambientais acreanos também enfrentam dificuldades de acesso a muitas áreas. Durante a estação seca, é possível chegar a muitos locais com veículos 4×4. Quando o período chuvoso começa, os barcos passam a ser o único meio de transporte para a maioria das unidades de conservação.

Além de enfrentarem dificuldades de acesso a muitas áreas e diversas dificuldades naturais da profissão, os agentes que fiscalizam o cumprimento da legislação ambiental na Amazônia também correm outros riscos. O Pelotão Florestal da Polícia Militar do Acre, por exemplo, freqüentemente confronta interesses de grupos econômicos poderosos, especialmente madeireiros ilegais e criadores de gado, que às vezes desmatam florestas para aumentar os lucros.

A qualidade de vida dos policiais florestais na Amazônia também é comprometida, já que, durante as missões na selva, chegam a passar duas semanas sem ver esposa e filhos. Reconhecidamente, para lidar com conservação na Amazônia é preciso ser, antes de tudo, apaixonado pela causa.

Fonte: WWF-Brasil  

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