Começou em abril um projeto de monitoramento de quelônios na bacia do Rio Amazonas. Foram colocados rádios-transmissores nos cascos de duas tartarugas, na região dos lagos da Ilha de São Miguel (Pará). A iniciativa, inédita na Amazônia, é executada pela Universidade Federal do Pará (UFPA) com apoio do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e do WWF-Brasil, e envolve três espécies: tartarugas (Podocnemis expansa), tracajás (Podocnemis unifilis) e pitiús (Podocnemis sextuberculata). O objetivo do projeto é monitorar a distribuição, o crescimento, os padrões de deslocamento e as áreas de vida dos animais. Em outubro, período de reprodução das tartarugas, serão colocados rádios em cerca de 10 fêmeas, na mesma região do Pará.

A precisa definição dos padrões migratórios dos quelônios servirá de base para diversas ações, como a fiscalização para coibir a pesca predatória e elaboração de planos de manejo. Como conseqüência, as comunidades passariam a ter o poder de decidir normas para coleta de ovos e consumo dos animais dentro de uma quota que assegura a reposição das espécies, referendadas pelo instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A comunidade da Ilha de São Miguel participa diretamente da iniciativa, indicando com base na vivência dos pescadores a provável localização dos grupos de tartarugas, popularmente chamados de cardumes. Além dos quelônios, as ações do Projeto Várzea também envolvem o manejo dos jacarés tinga (Caiman crocodilus) e açu (Melanosuchus niger) e do pirarucu, considerado o maior peixe de água doce do planeta.

A Ilha de São Miguel é uma região pioneira na construção dos acordos de pesca, hoje regulamentados pelo Ibama. Na prática, isso significa que a pesca de diversas espécies deve obedecer a uma série de critérios definidos em consenso por pescadores locais, de modo a garantir a continuidade da atividade pesqueira aliada à conservação da biodiversidade. Os pescadores da região também foram pioneiros em trabalhos de manejo do pirarucu (Arapaima gigas). Os peixes foram monitorados por rádios-transmissores, gerando conhecimento para subsidiar as regras de manejo da espécie. A experiência ajudou no desenvolvimento do método de monitoramento dos quelônios.

O WWF-Brasil, no âmbito do Projeto Várzea, apóia a iniciativa financeiramente e por meio de capacitação técnica de pescadores e instituições para a gestão participativa dos recursos naturais.

Fonte: WWF-Brasil

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