Em sua grande maioria, as cidades nasceram à beira dos rios e lagos. Era como se o primeiro traço urbano fosse dado pela Natureza. Esses mananciais sempre foram benção de saúde e beleza. Ou pelo menos deveriam ser.
Paris, Londres, Roma, Praga, Cairo, Lisboa, quase todas cidades alemãs, começaram sua história à beira dos rios, que até hoje as iluminam com o brilho de suas águas e a poesia de seu luar.
Fontes de inspiração artística, os rios abençoaram autores de grandes obras. Beethoven “recebeu” a Sonata ao Luar, à beira do Reno, iluminado pelo satélite de prata. Strauss inspirou-se no rio vienense para compor a célebre valsa Danúbio Azul.
Os rios cruzam e dão sustento à Terra tal qual as veias cheias de sangue percorrem o corpo humano alimentando as células. É a vida do planeta que circula pelos leitos, riachos, cachoeiras e lagos.
No Brasil, poucas cidades se amamentaram do “leite fluvial”, tão rico e tão próspero. Lamentável que a muitos dos nossos rios, as casas tenham dado as costas, para despejar os seus restos.Eles estão poluídos, contaminados, agonizando com “septicemia”. Ao invés de peixes, algas, oxigênio, água limpa, transportam germes e toxinas, num dramático processo infeccioso generalizado.
Em campanhas pela preservação do meio-ambiente é preciso ser mais corajoso, gritar, suplicar, apelar para que as autoridades desengavetem ou promovam a celeridade de projetos que visam salvar os rios.
O Sanhauá, Jaguaribe, Gramame, Mamanguape, e outros precisam de socorro urgente, precisam sair da UTI. As cidades que lhes deram as costas ao nascer, com eles parecem querer morrer. Ou tentamos salvá-los, ou não seremos salvos quando eles resolverem nos devolver a sujeira que lhes jogamos, em forma de doenças, pragas, e matando de sede o “Planeta Água”.

Germano Romero

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