Creio que todos devem ter tomado conhecimento da violência praticada no Estado de Goiás, contra um senhor de setenta e dois anos, por um louco, desses muitos que andam soltos por aí.
Hipertenso e dormindo somente à base de remédios, o tal senhor profundamente perturbado pela poluição sonora vinda da casa do vizinho, foi até lá suplicar a compreensão e o respeito humano, tão escassos hoje em dia. De nada adiantou. Sem conseguir dormir, e com a pressão nas alturas, foi lá pela segunda vez, pedir que abaixassem o volume.
A reação do estúpido vizinho foi a pior possível. Esmurrou brutalmente o pobre suplicante, que caiu no chão para levar violentos pontapés. Imediatamente socorrido, morreu ao chegar no hospital.
Tal fato deve servir para ilustrar a falta de proteção legal e a impunidade a que estamos submetidos diante da poluição sonora. A violência que se vê, e se ouve, corriqueiramente em nossa capital verde é assustadora. O freqüente abuso de pessoas que não têm o menor respeito pelo próximo, muito menos pelo meio ambiente, continua impunemente praticado em todo lugar.
Não é surpreendente a reação que o marginal teve diante da súplica de seu vizinho, em Goiânia, porque quem é capaz de violentar a paz e os ouvidos das pessoas, sem o mínimo de escrúpulos, é capaz de qualquer outra brutalidade.
O pior é que, se não podemos reclamar, para não sermos duplamente violentados, não temos a quem recorrer. Os carros de som circulam livremente pelas ruas da cidade inteira. Na orla marítima chega a revoltar a freqüência com que nos deparamos com aqueles carros que estacionam nos bares do calçadão e vomitam toneladas de decibéis, sem a menor preocupação com a tíbia lei que tenta proteger o meio ambiente.
Apesar dos esforços da SUDEMA e da administração municipal, agora responsável por punir tais abusos, ainda não há a eficácia que o problema requer. Urge encontrar-se uma maneira de fazer valer a Lei do Silêncio, sob pena de continuarmos a ser vítimas de mais uma impunidade.

Germano Romero

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