Existe algo mais estúpido atualmente do que fogueira de São João? A princípio o leitor pode pensar: – estúpido é você que está escrevendo isso, ora bolas! São tão poéticas as fogueirinhas nas noites juninas…
Paciência! O oxigênio já não é tão abundante, o “efeito estufa”, causado pelo acúmulo de fumaça no nosso céu tem provocado sérios danos ao clima e à saúde, e a poluição… basta lembrar de como irrespirável se torna o ar das noites de São João.
O problema é que todo mundo está se lixando para isso. Quem diabo quer saber como fica o ar ou qual é o prejuízo ecológico que tem origem nos milhares de fogueiras que são queimadas anualmente em nome dos santos do mês de junho? É São Antônio, São João, São Pedro e ainda tem um tal de mês de Sant’Ana… Será que esses santos ficam mesmo satisfeitos com a esdrúxula e intempestiva homenagem? Será que não lhes desagrada degradar a natureza, derrubar árvores, destruir o “santo” oxigênio, queimar madeira, poluir o ar, em nome de um folclore que já não tem mais sentido?
Não! Os tempos mudaram. Você sabia que da Mata Atlântica, com toda a sua exuberância original, vista pelos portugueses quando aqui se aboletaram, só restam míseros 4 %? Ninguém sabe. Mas já reparou nas montanhas de toros de madeira, cortada para lenha, que são exibidas à venda, na época de São João, em todos os nosso bairros? Uma pena… Dá realmente dó imaginar quantas árvores foram cortadas única e exclusivamente para o deleite imbecil e inconseqüente dos “matutos”.
Já é hora de rever mesmo os conceitos. Antes que seja tarde. Não se pode mais continuar a agir da mesma maneira de anos atrás. Não podemos nos dar ao luxo de certas extravagâncias contraditórias e imprudentes? Pense nisso. Mas pense mesmo! Reflita: será que devemos continuar a acender fogueiras todo ano para homenagear os santos? Sem se incomodar com os danos causados ao meio ambiente. Até quando?

Germano Romero

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