Neste momento em que se discute a expansão da matriz energética brasileira, observa-se que não estão sendo devidamente consideradas diversas opções para geração de eletricidade. Uma das alternativas é a utilização do potencial de biomassa (geração de energia por meio do bagaço da cana-de-açúcar) do sudeste do país, hoje em torno de 8 mil MW, mais que toda a geração da usina hidrelétrica do rio Madeira, em Rondônia. Isso, sem levarmos em consideração apenas a produção atual de cana-de-açúcar, sem nenhuma expansão. Por outro lado, é importante destacar que o país utiliza menos de 1% do que os ventos podem gerar de energia. Este total está em torno de 30 GW, representando cerca de um terço da capacidade total de geração de energia instalada atualmente no Brasil.

A questão hoje não é apenas de discutir a matriz elétrica, apenas na eterna oposição entre grandes hidrelétricas versus nucleares ou térmicas, mas sim, um modelo de desenvolvimento a longo prazo para o país. Devem ser consideradas e discutidas todas as opções viáveis e sustentáveis para garantir a segurança energética, evitando obras faraônicas que consomem bilhões de dólares, deslocam populações locais e destroem os ecossistemas da região. O Brasil pode dar um grande exemplo ao mundo ao adotar um modelo de desenvolvimento mais eficiente, limpo e sustentável, aprimorando a atual (in)eficiência energética e descentralizando e barateando a geração de eletricidade.

Torçamos que o bom senso, ultimamente tão ausente das discussões, termine por prevalecer nas escolhas que serão adotadas.

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