Segundo amplamente noticiado, o Patrimônio da União decidiu mandar destruir as áreas em frente a muitas residências à beira-mar, cercadas e apropriadas indevidamente em nosso Litoral. Tudo bem, se está errado tem que consertar. Mas, o que não se pode esquecer é que nossas praias estão cada vez mais infestadas de barracas horrorosas enfileiradas à beira-mar, com gente morando, poluindo tudo, jogando os esgotos p’ro mar.
São “pseudo-bares” construídos de cimento e tijolo em plena área de domínio público, e que terminam servindo de moradia com vista definitiva para o mar! Agora pensemos bem, qual é pior, uma casa à beira-mar que cerca a área em frente, planta, cuida e preserva, ou a infestação descontrolada de barracas em todo o Litoral da Paraíba? Não é possível que esta situação já não tenha chegado ao conhecimento do Ministério Público, Ibama, Secretaria do Meio Ambiente, e outros órgãos que deveriam cuidar do Patrimônio Público. Ou estão fazendo vista grossa? Há inclusive prefeituras que deram autorização oficial para tal aberração, como é o caso de Jacumã, no Conde. Sabe-se que os fiscais do Ibama já autuaram os “proprietários” que fizeram ouvidos de mercador. Ou seja, parece só haver um responsável: o próprio município!
A deterioração de Jacumã, a praia de chegada da nova Rodovia PB-08, é o primeiro cenário que desponta aos turistas que iniciam sua tour pelo nosso Litoral Sul. Desolador! O que será que pensam os visitantes ao ver aquilo? Que abandono, que tristeza, testemunhar a impune deterioração do meio ambiente oficialmente autorizada pelo poder público!
O pior é que a proliferação está desenfreada. Mais e mais barracas são construídas à luz de cada dia p’ra quem quiser ver. Dia de domingo, elas são festejadas por inúmeros visitantes populares que chegam em dezenas de ônibus e caminhões e, após a rápida estadia, pulverizam as areias brancas de resto de lixo, comida, plásticos e latas. É a coroação do caos dominical em Jacumã, Coqueirinho e adjacências.
Longe de mim querer reservar a praia somente para o lazer dos mais esclarecidos. A praia é do povo, e como tal, aí é que deve ser preservada. Só que, quem se incomodaria em sujar uma praia que já está abandonada, sem cuidado e controle?
A tradicional característica balneária de Jacumã já exige dos administradores cuidado redobrado, uma vez que a maioria de seus freqüentadores não teve oportunidade de educação ambiental.
Como a esperança sempre deve ser a última a morrer, ainda confiamos que um dia alguém, ou algum órgão, vai ter que dar um basta em tanta desordem. Sob pena de que os danos causados àquela área se tornem irreparáveis, pois até a vegetação natural que cobre a beira da praia, inclusive coqueiros, estão sendo arrancados para dar lugar a novas barracas de alvenaria, que continuam sendo construídas sob as barbas do poder público e de quem quiser ir lá p’ra ver.

Germano Romero 

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