Equipe do WWF-Brasil constata em sobrevôo os preocupantes números do Inpe: queimadas na Amazônia praticamente dobraram nos oito primeiros meses de 2007, em comparação com o mesmo período de 2006. Em apenas cinqüenta minutos foram vistos cinco ou seis focos de incêndio e observados, ainda, grandes áreas que já haviam sido devastadas por queimadas recentes. O objetivo do sobrevôo era fazer fotografias aéreas da floresta para abastecer o banco de imagens da Rede WWF, mas já nos primeiros minutos se depararam com diversos focos de incêndio. A equipe descreveu o que viu como assustador, já que uma coisa é ver a floresta queimar em imagens de televisão ou em fotos, mas é outra completamente diferente poder presenciar, do alto, chamas consumindo grandes porções de mata nativa, a ponto de chegar a tossir por causa da fumaça e a sentir na pele o calor das labaredas.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão federal que monitora por satélite os focos de calor no país, apontam que o número de queimadas na Amazônia Legal brasileira, entre janeiro e agosto deste ano, aumentou cerca de 96% em comparação com o mesmo período de 2006. Nos oito primeiros meses do ano passado, o Inpe detectou 9.119 focos. Este ano, também entre janeiro e agosto, o número saltou para alarmantes 17.882.
O trecho sobrevoado apresentou uma amostragem da ação de dois dos principais fatores de desmatamento da Amazônia: pecuária e exploração madeireira. Grandes áreas abertas no meio da floresta eram ocupadas por rebanhos com dezenas e até centenas de cabeças de gado. Foram identificadas, em vários pontos, toras de madeira empilhadas em clareiras recentemente abertas, prestes a serem retiradas. O acesso às toras se dá por pequenas vias de terra abertas no meio da mata, ligando as clareiras a estradas mais largas que, por sua vez, terminam em rodovias asfaltadas. A situação é ainda mais preocupante pelo fato de a região sobrevoada estar no entorno de uma capital estadual; uma área, em princípio, mais fácil de ser fiscalizada por contar com boa infra-estrutura rodoviária e de telecomunicações.
De acordo com o WWF-Brasil, o monitoramento das queimadas é de grande importância para a conservação da Amazônia, já que os dados servem de subsídio para a elaboração de uma série de medidas preventivas, como a criação de brigadas de incêndio em áreas mais críticas, a definição de calendários de queima e ações de fiscalização e controle. Destaca também que, especialmente na Amazônia, as queimadas são utilizadas, principalmente, para preparar o terreno para a formação de pastagens e por grileiros, que queimam áreas antes de ocupá-las ilegalmente com objetivo de lucrar com a venda das terras devastadas. As queimadas e incêndios liberam grandes quantidades de carbono na atmosfera, agravando o aquecimento global e contribuem de forma significativa para a savanização da Amazônia.

Fonte: WWF-Brasil 

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