Quem viu, e ouviu, o que eu vi, e ouvi, no último sábado à noite na praia de Jacumã, engoliu seco e concluiu: vivemos num país onde não há o menor respeito às leis e aos direitos do cidadão. Uma algazarra tão descomunal, tão estouvada como aquela só seria possível numa terra de ninguém, num lugar absolutamente sem controle.
Eram três comícios, pertos um do outro, em que os candidatos berravam desesperadamente misturando seus patéticos discursos, num absurdo e ininteligível pandemônio. A altura do som era tamanha que só acreditaria quem lá, infelizmente, estivesse. Altas horas da noite e a confusão só aumentava. Depois explodiram toneladas de bombas. Era o orgasmo da aberração que copulava com a estupidez. Nunca desejei tanto que um ciclone, desses bem caribenhos, varresse toda aquela balbúrdia, mesmo que me levasse junto também. Morreria feliz.
Mais tarde, muito além da meia noite, outra saraivada de bombas coroava a barbárie de uma escória conivente e insana, que bem merece o tipo de candidato que escolhe. Lembrei de uma frase de um conhecido político que teve a incúria de se hospedar num hotel de Boa Viagem em semana pré-carnavalesca. Sem poder dormir com a barulheira lá embaixo, foi à varanda e comentou: “eis a ralé que matou Cristo”.
E é mesmo ralé um povo que não só permite, como se regozija com essa avacalhação em que se torna o meio ambiente nos tempos de campanha política. Quem viu a bagunça dominical instalada na avenida Cabo Branco nesses últimos tempos pôde assistir à degeneração e à falta de dignidade que não me deixam mentir.
Existem duas coisas – apenas duas – que definem o grau de educação e desenvolvimento de um povo: respeito ao silêncio e banheiros limpos. Onde não há poluição sonora e sanitária podem ficar certos de que as faculdades humanas já foram aperfeiçoadas.
Esse teste é infalível. Quando visitarem um lugar, avaliem logo as condições dos banheiros – públicos e privados – e o nível de ruído permitido ao meio ambiente. Vocês verão o tamanho da verdade que estou falando. E como o fedor dos toaletes mal cuidados combina bem com barulheira. Um casamento perfeito, em eterna lua de mel com a impunidade e o desrespeito às leis, que só enfeitam a triste “grinalda” chamada Constituição.

Germano Romero

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