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No discurso que fez nesta terça-feira na ONU, em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse aos líderes mundiais que o Brasil tem feito “esforços notáveis” para diminuir os efeitos do aquecimento global, reduzindo pela metada a taxa anual do desmatamento da floresta amazônica. Afirmou ainda que o país lançará em breve seu plano nacional de combate às mudanças climáticas, intensificando o enfrentamento do problema.
Pois bem, que o governo passe então o quanto antes do discurso à prática, apresentando metas anuais concretas para zerar o desmatamento da Amazônia. As queimadas são responsáveis pela maior parte das emissões brasileiras de gases do efeito estufa, colocando o Brasil em quarto lugar no triste ranking dos países mais poluidores do clima no mundo.
Como bem disse o representante do Greenpeace China, Lo Sze Ping, durante reunião segunda-feira na ONU com representantes de diversos países, não há mais tempo para retóricas. É hora de agir.
O Greenpeace espera que o governo brasileiro agora saia do discurso e tome medidas práticas de combate ao aquecimento global, se comprometendo em promover a eficiência energética e o aumento da participação das energias limpas na matriz brasileira, e o fim do desmatamento na Amazônia, de preferência antes da Conferência das Partes da Convenção de Mudanças Climáticas da ONU, que acontecerá em Bali, em dezembro.
Apesar do desmatamento ter caído cerca de 50% em relação ao segundo maior recorde de desmatamento da história, que foi de 27 mil km/2 em 2004, ainda é um número inaceitavelmente elevado. Segundo Paulo Adário, da campanha de Amazônia do Greenpeace Brasil, lembrando que o governo Lula tem um projeto ambicioso de desenvolvimento, com o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), que faz enorme pressão sobre a floresta, o desmatamento diminuiu quando os preços internacionais da soja e carne caíram. Hoje, esses preços já aumentaram e os números mostram que no trimestre maio-junho-julho de 2007 o desmatamento aumentou em 200% e o número de queimadas também cresceu em relação ao mesmo período do ano passado.
Lula também defendeu em seu discurso na ONU uma nova matriz energética para o mundo, capitaneada pelos biocombustíveis, para reduzir emissões dos gases do efeito estufa e ajudar países pobres da América Latina, Ásia e África a gerarem emprego e renda. No entanto, o discurso não bate com a prática de seu governo, que recentemente sinalizou com a intenção de retomar o programa nuclear brasileiro e construir uma terceira usina nuclear no país, Angra 3.
Enquanto o presidente Lula posa de grande promotor dos biocombustíveis perante o resto do mundo, no Brasil o programa para promover as energias alternativas, como solar, eólica e pequenas centrais hidrelétricas, não tem a escala nem o apoio necessários para garantir energia limpa para o desenvolvimento esperado pelo país nas próximas décadas. Em vez disso, o governo quer investir R$ 7 bilhões no
dinossauro nuclear de Angra 3.

Fonte: Greenpeace 

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