Pela primeira vez uma fonte oficial do governo britânico admite que o programa de novos reatores não estará pronto até o final da década, confirmando o que os ambientalistas já afirmam há tempos: a energia nuclear não é solução para a urgência do problema da mudança climática, devido a seus altos custos e ao tempo de construção de reatores.
Segundo o secretário de Estado para Negócios, Empreendimentos e Regulamentações do Reino Unido, John Hutton, o primeiro reator da nova geração não deverá entrar em operação antes de 2017. Ele afirmou ser improvável que a energia nuclear contribua de forma significativa para as metas do clima até 2020.
A declaração foi feita ao jornal britânico “The Observer” em meio à crise que atinge o setor nuclear do Reino Unido. O principal executivo de geradores nucleares da British Energy, Bill Coley, está sendo pressionado a deixar o cargo após anunciar o fechamento de mais dois reatores obsoletos por causa de problemas técnicos na semana passada. Hutton admitiu ainda, que a falta de recursos e de pessoal na indústria nuclear do Reino Unido pode comprometer a expansão do setor no país.
O Reino Unido, que apostou de forma equivocada na expansão de seu parque nuclear para reduzir suas emissões, encontra-se agora em uma encruzilhada energética. O país tem uma das matrizes energéticas mais poluentes de toda a União Européia, baseada em energia fóssil (majoritariamente carvão) e nuclear e só 1% de renováveis, muito atrás de países como Alemanha e Dinamarca. Este contexto coloca em dúvida a capacidade de o Reino Unido atingir a meta de 20% de renováveis até 2020, estabelecida pela União Européia no início do ano.

Fonte: Greenpeace

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