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Quem vê os anúncios publicitários da Petrobrás pode até pensar que a empresa é uma das mais ecologicamente responsáveis do mercado. Mas não é bem assim. Se pegarmos apenas a questão do óleo diesel que ela vende no Brasil, veremos que a Petrobrás vende gato por lebre – diz em campanhas publicitárias que seus produtos são ambientalmente sustentáveis, mas vende ao mercado óleo diesel com excessivos níveis de enxofre, causando problemas ambientais e de saúde pública.
Por isso uma frente de entidades da sociedade civil, entre elas o Greenpeace, e os governos de São Paulo e Minas Gerais, além da Prefeitura de São Paulo, denunciarão a Petrobrás ao Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar), já que a empresa anuncia práticas e políticas de sustentabilidade ambiental que não são efetivamente implementadas pela empresa.
Também fazem parte dessa frente, criada na quarta-feira, as organizações Idec, Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Akatu, Fórum Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (FBDS) e SOS Mata Atlântica.
O objetivo da frente é pressionar a Petrobrás para que respeite a Resolução 315/02 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que estabelece a redução para 50 partes por milhão (ppm) do enxofre contido no óleo diesel distribuído aos postos de combustível no país. Atualmente, esses índices são de 500 ppm nas áreas metropolitanas e 2 mil ppm nas demais regiões.
Além da denúncia ao Conar, a recém formada frente também encaminhará representações contra a Petrobrás para os Ministérios Públicos estaduais e enviará cartas aos membros do Conselho Deliberativo do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), para que considerem fatos como a resistência da Petrobrás em não melhorar a qualidade do diesel distribuído no país.
Segundo o secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Xico Graziano, o excesso de enxofre no diesel causa grandes impactos ambientais e na saúde pública, afetando especialmente idosos, crianças e portadores de doenças crônicas dos sistemas respiratório e cardiovascular.
A qualidade do diesel comercializado atualmente no país tem implicações diretas na saúde da população. Segundo estudos da Universidade de São Paulo (USP), apenas na cidade de São Paulo, três mil pessoas morrem todos os anos em razão dos malefícios relacionados ao material particulado fino, emitido principalmente pela queima do diesel com elevado teor de enxofre. As pesquisas apontam que 85% do material particulado fino na atmosfera de São Paulo tem origem veicular, trazendo sérios prejuízos à qualidade do ar.

Fonte: Greenpeace 

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