Dom Aldo Pagotto, Rubens Nóbrega, Carlos Romero, Clotilde Tavares, Petrônio Souto, Tavinho Caúmo, Mariana Soares, Arael Menezes, Ronaldo Monte, Marcos Tavares, Abelardo Jurema Filho, são apenas alguns de muitos outros formadores de opinião que, com o dom da escrita e da credibilidade, há muito que vêm protestando e alertando a sociedade e as autoridades para o sério e crônico problema de poluição sonora em João Pessoa. Não mais se admite que uma cidade privilegiada com decantado perfil bucólico e raro índice de qualidade de vida permita ser chamada de “Capital do Barulho”.
O pior é que o modelo de combate ao problema está errado e insuficiente. Sem ação policial, nenhuma “Semam” ou “Sudema” será capaz de coibir os reincidentes abusos. A fiscalização não pode esperar pela denúncia e o poder público há de se empenhar em campanhas educativas.
Aos domingos, pouco mais de sete horas da manhã chegam aos nossos tímpanos a imensa barulheira, às vezes até recheada de bombas de artifício. Meu Deus do céu,… que absurdo! Será que esqueceram que é justamente no domingo que as pessoas aproveitam para repousar um pouco mais?…
Que nada… quem se lembra de respeitar alguém num lugar onde não se educou as pessoas para reverenciar as leis? E haja barulho acompanhado pelo berreiro de microfones anunciando produtos, acontecimentos, e forrós com letras deprimentes.
Que mania doentia de zoar! Não há controle, não há respeito, nem educação a respeito. Aonde você chega é barulho p’ra todo lado. Se vai caminhar no calçadão da praia, é o som das barracas, é um sujeito que instalou uma banca de DVD pirata e se acha no direito de fazer o maior barulhão. É o carro que para, abre a mala e sacode um pagode no ar, por cima do vento, da brisa e da paz.
Há alguns anos, batizaram João Pessoa de “Capital do Barulho”, com direito a página na internet. Deu até na Folha. Foi um zunzunzum danado. Fizeram tudo para descobrir quem era o autor da homepage, que preferiu se proteger no anonimato. O pior é que, no Reino de Abrantes tudo continua como dantes. Dê um passeio na Lagoa, durante a semana, e no calçadão das praias, ou num sábado à noite em Camboinha e Jacumã e verá quantos absurdos. Ou vá à praia do Cabo Branco aos domingos pela manhã…
Até nas missas fazem o maior barulhão. Tenho uma tia que foi forçada a vender sua casa, porque não suportava mais a vizinhança com uma tal igreja que se instalou à sua frente e fazia tanto barulho que nem à novela das 8 ela podia mais assistir. Em vão foram os apelos, pessoais e impessoais, feitos aos “fiéis do barulho” e a vários órgãos competentes.
No “Pôr-do-Sol de Jacaré” o barulhão também impera. Todos os bares reverberam sons amplificados que a todo custo tentam fazer referências à linda peça de Ravel, o doce Bolero. Mas, até o sol se apressa em ir embora daquela zoada, onde ninguém consegue nem mais conversar, que dirá pensar…

Germano Romero
 
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Publicado na versão online do “Jornal A União”, em 23 de maio de 2009.
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