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Os recentes falecimentos da defensora Fátima Lopes, da escritora Mariana Soares e, mais atrás, dos policiais que tentaram ajudar os fiscais da Sudema a coibir barulho em Camboinha, e ainda o dos 3 membros da família Ramalho, fulminados no fatídico cruzamento de Miramar, colocaram novamente em foco a gloriosa ação do Ministério Público.
Aliás, o MP se evidenciou ao longo de alguns anos como a derradeira esperança da sociedade brasileira, eterna clamante dos rigores da lei e da justiça. Em se tratando de instituição não comprometida com outros interesses, composta de cidadãos preparados, concursados, que não devem favor de ordem alguma a seu ninguém, o Ministério Público é hoje a tábua de salvação de um país que, além de possuir “sem-teto” e “sem terra”, engrossa a fila dos “sem-lei”.
Êpa! Lei, nós temos. E muitas. Bem feitas, bem intencionadas, mas, infelizmente ornamentais. A “Seca” e a “do Silêncio”, diretamente ligadas aos sinistros mencionados no início, são um ótimo exemplo. Os bares das praias de Tambaú, Cabo Branco e Jacaré vivem abarrotados de gente barulhenta, que bebe pra dirigir. Nos similares dos litorais sul e norte, de Tambaba a Lucena, pululam os que passam o dia na cerveja, ao sol e ao léu, e voltam pra casa “de carro em punho”. No âmbito mais chic, a Blu’nelle e Paço dos Leões estão constantemente lotados de cabeças cheias de scotch e espumantes, indevidamente motorizadas. Alguém já viu algum “bafômetro” ou decibelímetro por perto, à espreita?…
Ah, como o poder público está jogando dinheiro fora. Bastava diligenciar fiscais na saída desses focos de poluição e irresponsabilidades para arrecadar diariamente várias multas e centenas de reais. Prevaricação? Omissão? Desobrigação de fazer? Tudo junto.
Segundo nos informou o eminente jornalista Petrônio Souto, o Ministério Público de Pernambuco entrou pesado na guerra contra o barulho. Promoveu a capacitação de policiais para agir, a recompensa de até R$ 2 mil para quem contribuir com a solução de um problema de poluição sonora, assim como campanha veiculada na mídia gratuitamente e por tempo indeterminado. O promotor André Silvani destacou que a ação das polícias é fundamental, pois “esse é um crime como outro qualquer e o policial não precisa pedir para baixar o som, ou ter um mandado para entrar na casa de alguém que está abusando do barulho. Ele pede para alguém parar de traficar drogas?”
Excelente exemplo para o nosso MP paraibano! Não dá mais para conviver com a impunidade e a falta de aplicação da lei nos casos de perturbação do sossego, e dos que misturam álcool e direção. Aqui na Paraíba, quando alguém liga para o 190 pedindo socorro para a perturbação do sossego e algazarra, ouve uma equivocada desculpa “isso é coisa pra Semam ou Sudema”… Não é mesmo, polícia neles!

Germano Romero

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Publicado no jornal “Correio da Paraíba”, em 29 de janeiro de 2010.

A volta da poluição sonora no Busto de Tamandaré nos faz acreditar, hoje mais do que nunca, que “há algo de podre no reino do barulho”. Além de “mistérios” e muitas contradições. Retiraram da orla a Micaroa, que era anual, e colocaram nas suas areias uma horrorosa e barulhenta concha acústica, mas nada estética, que produz decibéis muito acima da lei, agora semanalmente.

Voltemos aos mistérios do barulho. Na Grande João Pessoa (exceto no litoral sul – Alhandra e Conde – onde o juiz Hélder Rocha e o promotor Francisco Lianza mandaram as polícias cumprirem seu ofício determinando através de uma portaria a “obrigação de fazer”), existe uma “misteriosa” recomendação para que as polícias não ajam e se recusem a atender a população em casos de perturbação do sossego por excesso de barulho. Ninguém sabe de onde partiu essa “orientação” descabida, mas, quem quiser auferir é só ligar para o plantão 190 (CIOP – Centro Integrado de Operações Policiais) e ouvir dos próprios atendentes, que costumam informar que tal determinação existe e vem do comando superior.

Ou seja, vetam exatamente a única solução para o crônico problema que seria a inclusão definitiva das Polícias Civil e Militar no controle de perturbação do sossego alheio (art. 142 do código penal). Pois, somente uma ação conjunta poderia dar maior contribuição ao combate à poluição sonora, inclusive com a participação dos guardas da STTrans que poderiam aplicar multas, tal qual fazem com as infrações de trânsito.

Conhecemos de perto o bom trabalho e o compromisso com o meio ambiente dos profissionais da Sudema e Semam, das diretoras Ana Cândida Espínola e Socorro Menezes, sobretudo com respeito à poluição sonora. Acontece que não se podem fazer milagres com o modelo atual e a pequena estrutura que os órgãos que respondem pelo Meio Ambiente dispõem. Eles precisam ter apoio das polícias, guardas municipais e florestais. Perturbar sossego alheio é uma contravenção penal prevista na legislação pertinente. A segurança pública não pode se esquivar de atender a casos de excesso de barulho, e assim cometer grave omissão. Alguém sabe de onde partiu a orientação para que não se cumpra o artigo 142 do Código Penal e se omita socorro às vítimas da perturbação sonora? Que tal pedir socorro ao Ministério Público para que os responsáveis pelo cumprimento da lei sejam chamados à obrigação de fazer?

A propósito da divulgada ronda de fiscalização na orla iniciada pela Sudema vemos como excelente medida. Há muitos casos de poluição sonora ambulante, difícil de controlar sob denúncia. E também os inúmeros que permanecem impunes porque ninguém denuncia. Assim, os postos de fiscalização – fixos ou móveis – certamente muito contribuirão para minimizar um suplício generalizado de uma cidade que já assumiu o vergonhoso apelido de “Capital do Barulho”.

Germano Romero

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Publicado na versão online do “Jornal A União”, em 15 de janeiro de 2010.

Tudo indica que o ano de 2010 se inicia deveras auspicioso para o litoral sul, hoje também conhecido sob a requintada expressão “Costa de Conde”. Já era tempo, convenhamos, pois são indiscutíveis os valores paisagísticos, ambientais, turísticos, tudo o que um município de um país em franco desenvolvimento sonha em dispor.
Para isso convergiram vários setores. Primeiro, a legislação municipal criada para adensar o Altiplano atraiu empreendimentos de bom padrão, edificados sob novo conceito de ocupação do solo racional e sustentável. Em seguida, destaque-se a construção da Estação Ciência que deu continuidade à expansão urbana da área presenteando a cidade com a arquitetura de Niemeyer, num equipamento destinado à arte, cultura e conhecimento. Apesar das críticas, a Estação prova na prática sua utilidade agregada a inquestionável importância turística. Depois veio o desembaraço do Centro de Convenções, equipamento indispensável à projeção e ao desenvolvimento de qualquer capital do mundo.
Aí somaram-se anúncios e prenúncios de retomada de projetos como o Costa do Sol, o Gramame Beach Resort, tudo caminhando para o Conde, que hoje conta com empreendimentos de excelente padrão, como o Mussulo Resort, o Tabatinga Residence, Condomínio Praia do Amor, Vista Morena, Massain, Aruanã, e outros mais.
Imaginem a responsabilidade da prefeitura de lá diante de perspectivas tão alvissareiras, como frisado no início. Responsabilidade que foi avaliada e certamente reconhecida em virtude das medidas tomadas recentemente naquele litoral azul. Como é peculiar aos municípios costeiros do Brasil, a Costa de Conde foi e ainda é mal tratada do ponto de vista ambiental. A falta de leis urbanísticas, de código de obra eficaz, de um plano diretor, tudo deu margem a uma ocupação urbana desordenada, lamentavelmente aliada ao descontrole sobre o meio ambiente. São crônicos os problemas como poluição sonora, bares, barracas e similares que invadiram a beira-mar, coleta de lixo precária e, sobretudo, a ausência de educação ambiental.
Entretanto, tudo parece apontar para um iluminado fim de túnel. A prefeitura de Conde ora elabora projetos de reordenação da orla, efetiva normas para o predador “turismo de um dia”, de controle de veículos pesados à beira-mar – que já a partir de amanhã passam a ter que contribuir com taxas para utilização balneária – aderiu à recomendação da promotoria para controlar o barulho, implementou a coleta de lixo, incluindo a limpeza das áreas marinhas às segundas-feiras, instalou faixas apelando a manter limpas as praias, enfim, está fazendo bem a sua parte.
Decerto, o governo estadual saberá estender mãos e ações para os necessários cuidados com um dos maiores tesouros dos paraibanos: A Costa de Conde!

Germano Romero

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Publicado no jornal “Correio da Paraíba”, em 01 de janeiro de 2010.

O acúmulo do plástico nos lixões é um problema sério, que ameaça a saúde do planeta, O grande vilão da história é a inocente sacolinha inocente que você recebe de qualquer comerciante, em qualquer lugar que comprar algo. E isso é a regra geral no dia-a-dia das nossas cidades, sem falar nos supermercados onde, dependendo do tamanho da compra, são gastas dezenas de sacolas por consumidor.
O Brasil produz cerca de 18 bilhões de sacolas por ano e mais de 1 bilhão delas são distribuídas todo mês pelos supermercados. Oitenta por cento viram sacos de lixo doméstico e vão parar em aterros sanitários onde levarão cerca de 500 anos para se decompor. Para produzir uma tonelada do material com que é feita a sacolinha, são necessários 1.140 kw/hora, energia esta que daria para manter aproximadamente 7600 residências iluminadas com lâmpadas econômicas por 1 hora. Dez por cento do lixo é composto de sacolas plásticas, dos quais menos de 1% é reciclado, porque é mais caro reciclar um saco do que produzir um novo.
A solução? Ora, os estudos sobre um plástico biodegradável, apesar de defendidos por alguns, não convenceram a maioria da comunidade científica, que questiona se esse plástico se degrada mesmo ou apenas se subdivide em fragmentos minúsculos, poluindo ainda mais. No mundo inteiro, os governos já estão tomando medidas para evitar o desastre. Na Paraíba já existem leis a respeito, o que é muito auspicioso.
Mas ainda penso que a forma mais eficiente de resolver o problema parece ser conscientizar a população para o uso de sacolas de pano retornáveis (as “ecobags”) ao fazerem suas compras como era antigamente. Eu mesma tenho as minhas, e sempre as levo quando vou fazer supermercado. Acho muito chique, meu caro leitor. Tenho orgulho de sair do supermercado sem uma só sacolinha plástica.
Agora veja outra situação: ontem fui à padaria da esquina. Comprei queijo fatiado, um “pastel-de-belém”, uma fatia de bolo e quatro pães. Distraída, olhando o jornal em cima do balcão, não tinha visto o balconista arrumando minhas compras. Ele colocou cada um dos itens numa sacolinha de plástico individual, que por sua vez foram acomodadas, as quatro, numa maior. Cinco sacolas. Quando vi todo aquele exagero de plástico, pedi a ele uma sacola de papel – toda padaria tem – e rearrumei as coisas dentro dela.
Não é preciso fazer sermão, nem dizer “Estou salvando o planeta!” ou coisa parecida. Se fizer isso, você corre o risco de se tornar um “eco-chato” e dilui a força da única tecnologia ao alcance de todos nós que pode mudar o mundo: o exemplo.

Clotilde Tavares

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Publicado no jornal “Correio da Paraíba”, em 21 de maio de 2010.

O Governo Estadual alardeou o início da construção do Centro de Convenções.
O dito cujo será edificado na área anteriormente destinada ao Pólo Turístico do Cabo Branco.
Essa novela começou quando, em 1986, o governador Tarcísio Burity e depois Milton Cabral destinaram 630 hectares para construção de hotéis, apart-hotéis, equipamentos de lazer, centro comercial, centro de convenções, campo de golfe, clube hípico e outros brebotes.
A coisa ficou no papel: na época enterraram 10 milhões de dólares nas areias de Jacarapé. Hoje, no canteiro central da rodovia que conduz ao lugar já estão as novas placas publicitárias. Claro que quando essa coisa for inaugurada o fluxo de turistas para a região aumentará aos milhares, todos em busca das belezas naturais que a área oferece.
A bronca é que a maioria das praias em redor do novo centro de convenções está entregue às moscas.
O ponto turístico de maior relevância internacional que a Paraíba possui é a Ponta do Seixas, Extremo Mais Oriental das Américas. Há anos que governos ensaiam tentativas de dar-lhe a importância que ele merece, ações que ficam somente no “ensaio” mesmo.
O prefeito Carneiro Arnaud, em 1986, aprovou Lei Municipal nº 5.109, que deu às ruas da praia nomes a caráter: Estrela do Mar, das Arabaianas, dos Pescadores, das Lagostas, dos Mariscos, dos Camarões, dos Cajueiros, etc. Em 1988 aprovou outra lei, a de número 5.918, que criou a Praça do Sol, que até hoje ninguém construiu. Na época, o arquiteto Afonso Bernal, da UFPB, projetou um monumento para ser colocado no centro do logradouro. Deve estar embolorado, meio comido pelas traças em alguma gaveta do serviço público.
O que mais chama atenção no Ponto mais Oriental é a quantidade de barracas improvisadas com madeira, lata ou de alvenaria mesmo, todas na pior condição sanitária que possa se imaginar. A favela mais oriental das Américas, com moradores à margem da sociedade, sem compromisso com a cidadania, sem pagar os impostos que todos os ouros moradores da praia pagam!
A Secretaria de Turismo do Estado nunca instalou nem um quiosque para dar informações aos turistas que aparecem por lá.
E o pior de tudo: o mar está levando a Ponta do Seixas!
Os moradores vêm erguendo verdadeiras muralhas de pedra numa tentativa de defender o lar de cada um deles, moradia que é o patrimônio desses cidadãos.
Do jeito que a coisa vai o Extremo mais Oriental passará a ser noutro lugar, provavelmente no Rio Grande do Norte. E da forma que o oceano vem engolindo a barreira do Cabo Branco, num dia de maré alta veremos o Farol do Cabo Branco amanhecer caído dentro do mar. Depois virá a Estação Ciências… Pode demorar décadas para acontecer, mas, sem providencias, acontecerá mais cedo ou mais tarde.
No primeiro governo do prefeito Cícero Lucena foram realizados exaustivos estudos para proteção do Cabo Branco e praias adjacentes, entre elas a do Seixas. Contrataram a Companhia das Docas do Rio de Janeiro e uma empresa norueguesa altamente especializada no assunto.
Apresentada a solução, um enrocamento com pedras frente à barreira, uma horda de xiitas oriundos da UFPB e APAN, fizeram um movimento intenso contra a solução encontrada, embasados num argumento hilariante: seriam destruídas a flora e a fauna marinhas da região. Os da APAN diziam até que desapareceria um tipo de esponja marinha usada no tratamento de câncer. Uma graça…
Ninguém nunca ouviu falar que alguém houvesse ficado curado de câncer chupando essa esponja da APAN. Mas a barreira do Cabo Branco continua caindo. O resto da fauna marinha, peixinhos, caranguejos, mariscos e conchas, que existem lá e da costa do Maranhão até a da Bahia, continua no Cabo Branco, sem cheirar nem feder.

Marcus Aranha

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Publicado no jornal “Correio da Paraíba”, em 04 de outubro de 2009.

 

Quando o homem vem ao mundo, sua primeira pousada é o útero materno. Eis aí om espaço de muito silênciio. A gestação do feto vai se processando sem o mínimo ruído. E tinha de ser, assim, porquanto no barulho, seria impossível a vida em formação.

E se olharmos a Natureza, onde é que está o barulho? As árvores são silenciosas e os pássaros que nelas se aninham só fazem cantar, suavemente. As flores se desabrocham no maior silêncio. E que dizer desta usina que nos fornece luz, o dia inteiro, o sol? Trabalha num saudável mutismo. Não polui a atmosfera, nem agride os ouvidos. Da mesma maneira, as estrelas que surgem para enfeitar o firmamento.

Pascal, o extraordinário pensador, quase sempre ficava olhando uma noite estrelada e se comovia com o seu silêncio. Dir-se-ia que o silêncio é a voz de Deus. Será que se houvesse barulho no fundo do mar, os peixes viveriam? Evidente que não. Portanto, viva o silêncio da vida submarina.

Falei do útero, do sol, das estrelas, das plantas, do fundo do mar, e já ia me esquecendo o nosso corpo, este santuário divino, segundo Emmanuel. Esta cidade sem o mínimo barulho. O coração, esta bomba extraordinária, trabalha em silêncio, e o sangue, este rio vermelho, flui calmamente levando alimentos para as mais distantes células. Também os pulmões, o estômago, o fígado, funcionam sem perturbar o ambiente. O mar não produz barulho, mas marulho, que é diferente. Nada mais apaziguador do que ficar ouvindo a voz do mar…

Aí dirá você: e o trovão? Ah, leitor, o trovão não agride os ouvidos, o trovão produz um som macio, um som terapêutico e místico, que nos leva a muitas reflexões.

Mas, afinal, quem é que faz barulho, neste mundo? O cachorro e o homem. Talvez seja essa a razão porque ambos são tão amigos…

Foi por isso que o homem inventou as máquinas. E eu ainda hoje admiro que ele não tenha fabricado carros sem pneus. É só o que está faltando. O pior é que o barulho humano está cada vez mais se intensificando. Não há mais respeito ao silêncio, mas muita barulheira. Nãodigo em todos os lugares. Em alguns países civilizados as leis do silêncio ainda funcionam. Mas, aqui, nesta nossa capital, o barulho se tornou um escândalo, uma falta de vergonha, um desrespeito ao direito alheio. E a barulheira progride em lugares que foram criados para a paz, a exemplo das praias, hoje infestadas de barracas, seja para futebol, seja para patinação no gelo, ou show de forró.  Aé através dos telefones celulares, surgem, vez por outra, pessoas falando alto, fazendo desses instrumentos verdadeiros microfones… Resultado: muita gente está ficando surda. E quem é surdo costuma falar alto…

Sim, leitor, é que estão matando o silêncio de nossa capital, a ponto de um arcebispo esquecer as coisas do eu para bradar contra barulheira aqui na Terra…

Carlos Romero

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Publicado no jornal “Correio da Paraíba”, em 02 de fevereiro de 2009.

Dia desses iniciamos um debate bem intencionado no grupo “Proteção do Meio Ambiente da Paraíba” (PMAPB). Muitos sabem de nosso empenho pessoal e profissional, testemunhos, artigos e campanhas em prol da ecologia. Mas, há quem veja arquitetos como “especuladores” ou “interesseiros”. Mesmo os que amam essa cidade, por nela terem nascido e se criado, cientes dos seus preciosos valores ambientais e paisagísticos.
O assunto era a lei que limita a altura de edifícios na orla, que após algumas décadas pode ser avaliada, somando-lhe as consequências da posterior adoção de afastamentos de apenas 2 metros para os prédios de três andares. Agora se observam compridos edifícios, bem próximos entre si, numa congestionada configuração urbana, sem afastamentos, jardins, nem áreas permeáveis, comprometendo sensivelmente os níveis de conforto ambiental e paisagístico. Já os chamam “espigões deitados”.
Infelizmente debates ambientalistas sempre descambam para paixões, ideologias reprimidas e a velha discussão: “capitalismo x comunismo”. Daí, quando danos ambientais, por mais graves que sejam, são praticados pelas classes pobres, ninguém condena. Mas, basta um investidor ou empresário da construção – que promove desenvolvimento e progresso com trabalho duro, honesto, e dá muita oportunidade de emprego – tentar construir algo na cidade, para ser alvo de todas as acusações possíveis.
Há décadas que os rios Jaguaribe, Sanhauá e outros agonizam poluídos, que nossas praias primitivas se deterioram invadidas por lixo barracas, bares, moradias insalubres, com omissão de “ambientalistas”, de órgãos de controle ecológico, do Patrimônio Público, e até do MP, mas ninguém levanta uma palha. Só porque são “crimes cometidos por gente pobre”…
Quando se quis construir um pequeno hotel na ponta do Cabo Branco, todo documentado com alvará de construção e demais licenças, no local onde já existem bares, churrascaria, boate e restaurantes, houve a maior gritaria e até prisões. Hoje, jazem lá as “belas” ruínas, para regozijo dos “ecólogos”… Mas, nas beiras das falésias do litoral norte e sul, pululam barracas e aberrações de todo tipo. E ninguém faz nada…
Qualquer diálogo sobre a atual ocupação da orla marítima que proponha a revisão da norma nunca é devidamente compreendido, e gera discussão prolixa e infrutífera. Talvez se prefira mesmo continuar pavimentando a orla com prédios bemmmm compridos, quase colados, sem jardim nem área permeável, em cima da rua, e pronto. Quem sabe esse “cemitério de “espigões que se deitam” sobre o radicalismo e a insensibilidade termine agradando aos “ambientalistas”. E aos que acham um edifício alto, rodeado de grandes jardins, recuos e áreas verdes, mais feio do que esgoto e lixo jogado nas praias e nos rios, só porque está perto do mar…

Germano Romero

 

Publicado no jornal “Correio da Paraíba”, em 19 de outubro de 2009.

“Chá, café, fubá, margarina… margarina, que margarina?” – aí o passarinho cantava ao longe: “Bem-te-vi”! Lembrei do clássico comercial de TV, com a tosca carrocinha e os garotos ditando a lista de compras, ao caminhar pela beira-mar de Carapibus, num recente final de semana. Delineando as marcas curvas que as ondas deixavam na areia, sobrepunha-se um rosário de ingredientes que não eram exatamente os do comercial “Bem-te-vi”, mas bem que me lembrou.
Evidentemente que o plástico era o rei do lixo. Potes de margarina, garrafas de refrigerante, ketchup, maionese, goiabada, danones e danoninhos, uma infinidade de sacos de “pipos” e seus descendentes diretos e indiretos. Triste amostra da falta de educação de um povo que parece ignorar completamente o meio ambiente que habita.
Mas não se pode culpar apenas o jogador de lixo, que na maioria das vezes o é por falta de instrução. Há quanto tempo não se vê nos meios de comunicação uma campanha educativa que advirta para não se atirar lixo nas ruas, nas praias? É tão fácil educar… Vejam a diferença com que hoje se trata o pedestre. Bastou uma única campanha, que já está inclusive precisando se renovar, pois a educação não pode parar, para não cair no esquecimento.
Há duas maneiras antagônicas e complementares com as quais se instrui a sociedade urbana: pelo conhecimento e pela aplicação penal. Não é somente porque são “civilizados” que os europeus, australianos, neozelandeses, norte-americanos não jogam lixo em via pública. Mesmo porque muitos dos povos “avançados” são os que mais poluem o meio ambiente com dejeções industriais. E sim pela carga das multas e outras severas penalidades que lhes são impostas, sem impunidade.
João Pessoa e o litoral paraibano ora se preparam para fincar as bases de um turismo promissor. Um turismo que precisa desde já ser bem cuidado, seletivo, correta e sustentavelmente direcionado. O elo “dourado” que se criará entre Areia Vermelha, Jacaré, Picãozinho, Altiplano, Seixas, Penha, Jacarapé, Gramame, Costa do Conde, Estação Ciência, Centro de Convenções, Pólo Turístico, é único (!) e como tal precisa ser tratado. Uma plêiade de valiosos ingredientes turísticos cujo potencial há de ser devidamente conduzido.
Nenhum turista é como o criminoso que costuma “voltar ao local do crime”. Pelo contrário, foge dos desprazeres para sempre. Com os atuais investimentos em resorts, hotéis, condomínios e graciosas pousadas que despontam no litoral sul, aumenta muito a responsabilidade do poder público e de quem gere o turismo. Lá não se vê uma única lixeira nas praias e a coleta é a mais precária possível. Urge que se atente, mas não se afugente quem ainda nem chegou. Aquele que quer ver, e tornar a ver as belezas da Costa do Conde, mas não as feiúras de uma “Costa do Lixo”.

Germano Romero

 

Publicado no jornal “Correio da Paraíba”, em 23 de outubro de 2009.

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