O amigo Tavinho Caúmo não se conteve ao ler esta semana, neste Jornal, o secretário Ivan Burity (Desenvolvimento Urbano, da Capital) reconhecendo que o Busto de Tamandaré não comporta mais eventos que atraem multidões.
“O local é inadequado, está saturado e saturando o trânsito e toda a circulação naquela área, que é o coração da praia de Tambaú”, disse o Doutor Ivan ao colunista Abelardo Jurema Filho.
Tavinho, ambientalista de verdade e ativo colaborador do Greenpeace, escreveu a este colunista para dizer que, embora sutil, a fala de Ivan Burity é um primor de hipocrisia.
Lembra que ele e outras pessoas, moradoras da área, sabem muito bem “há muito mais de dez anos” que o Busto saturou, não deveria servir de palco para tanto barulho e há três anos passam essa informação ao governo Ricardo Coutinho (PSB).
Mas o governo municipal parece mouco. Não escuta ou faz que não escuta os apelos, queixas e reclamações do gênero. Deve ser conseqüência de tanta zoada, causa da aparente surdez que teria atacado mais intensamente a Sedurb.
Afinal, mostra Tavinho, é a Secretaria do Doutor Ivan a responsável pela concessão de licença aos eventos que infernizam o sossego e a saúde de quem mora perto do Busto.
Lembra, de outro lado, que o secretário Ivan Burity “já demonstrou em diversas oportunidades que respeito ao cidadão e ao meio ambiente não fazem parte do seu acervo”.
“Ao contrário, de mãos dadas com a Semam (Secretaria do Meio Ambiente) de seu colega, Professor Antônio Augusto de Almeida, vem se omitindo e negligenciando esses e outros quesitos, em todas as oportunidades que eventos são programados, “autorizados” e realizados na?área em questão”, emenda.

Despejado
Tavinho Caúmo denuncia ainda que ele e sua família, após muitos anos de agressões e desrespeito, três dos quais sob a atual administração municipal, foi obrigado a se mudar de onde morava. Mudança que seu deu com prejuízo de saúde e de cidadania.
“Deixamos nossa residência em Tambaú, nas proximidades do Busto de Tamandaré, de onde sofremos inacreditável ação de despejo! Injusta, ilícita, agressiva, desrespeitosa e, sobretudo, inconstitucional, mas que nossas autoridades municipais, incluindo o Senhor Secretário em questão e outros, apesar de todos os nossos protestos, não tiveram vergonha nem remorso em nos impor!”, acrescenta.
Antes de encerrar, ele ainda protesta por ter que “tolerar”, além de leis esquecidas e soterradas “sob sete palmos de incivilidade”, o toque de “sutil hipocrisia dado pelo Senhor Secretário Ivan Burity de Almeida!”.

Quem merece?
“Num lugar sério, garanto que ninguém!”, exclama o indignado cidadão.

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Só lembrando: o Estado Democrático de Direito pressupõe, sobretudo, o respeito às leis. Entre elas, as leis que protegem o cidadão de qualquer poluição sonora, mesmo aquela autorizada pelo poder público.

Rubens Nóbrega, em 02 de fevereiro de 2008.

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