Trago hoje o desabafo de um grande cidadão e precioso colaborador que é o ambientalista Tavinho Caúmo, profundamente desapontado diante da mudança de comando na Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam), de João Pessoa.
Segundo Tavinho, a troca de Antônio Augusto de Almeida por Simão Almeida “foi de fazer perder o último fio de esperança verde que ainda sobrevive em gente como a gente, que quer ver nossa cidade e suas belezas bem geridas e preservadas”.
Ele assim pensa e diz porque defende, antes de qualquer coisa, uma administração ambientalmente responsável, ou, como ressalta, uma administração “que não pensa só nos próximos dois ou quatro anos”.
Não pensar os próximos dois ou quatro anos apenas mostra pelo menos a disposição de garantir, na visão de Tavinho, que as próximas gestões e gerações “recebam uma cidade por inteiro, e não apenas o que porventura venha a sobrar dela”.
Nessa linha, diz que “foi surpreendente a troca de pouco por menos”, pois considera que o ex-secretário Antonio Augusto de Almeida, apesar de bom na área, teve desempenho sofrível porque submisso aos interesses e ao poder de outras secretarias.
Tavinho acredita que dava para fazer mais, bem mais do que “copiar programas de sucesso nacional (como o Viveiro de Mudas e o Cinturão Verde urbano), uma ou outra campanha educativa aqui, uma cartilha ali e algumas ações pontuais”.
Reconhece que Doutor Antônio tentou, mas de forma superficial e tímida, enfrentar a crescente poluição sonora que infesta nossa cidade, “fruto da falta de fiscalização e punição, que procria um mal ainda maior, chamado impunidade”.
No mais – “só prá não dizer que não falei das flores” – lembra que a Semam promoveu um concurso de beleza para jardins e espalhou “um punhado de mudas” pela cidade.
“Nada disso mudou nosso combalido meio ambiente urbano, que continua a ser agredido por muitos, até mesmo por aqueles que deveriam defendê-lo e preservá-lo, especialmente o próprio poder municipal”, denuncia.
Sobre a indicação de Simão Almeida para o lugar de Antônio Augusto, tem na conta de não mais que resultado de “notória costura politiqueira” do prefeito Ricardo Coutinho, porque o homem está “com a cabeça em 2010”.

Engodo
Frisando que o seu voto e os votos da maioria que elegeu Ricardo Coutinho foram para manter e melhorar, não para regredir, Tavinho Caúmo também ataca o que chama “esse engodo de Cidade mais Verde do Brasil e Segunda Cidade mais Verde do Mundo, títulos fictícios que seguem a render frutos e, mais ainda, votos”.
Na seqüência, desfia argumentos que mostram porque ele é ambientalista de primeira, que soma uma militância cidadã com fervor de devoto a muito conhecimento acumulado que o credencia, inclusive, como representante do Greenpeace, a mais importante e respeitada ong do mundo em matéria de defesa ambiental.  
“Vamos viver nossa realidade, olhar ao redor e enxergar a triste verdade dos fatos”, recomenda, acrescendo: “E a verdade é que João Pessoa é uma cidade estupidamente barulhenta, com um grande déficit de cobertura verde, com enormes ilhas de calor não compensadas, rios urbanos em condições precárias e que sofre constantes agressões dada a precária fiscalização”.
Lamenta ainda que a Prefeitura de uma cidade abençoada por um sol maravilhoso e ventos constantes não tenha um único prédio público de expressão, por menor que seja, utilizando energia solar ou eólica. Sem contar um Centro Administrativo Municipal que, apesar de sua arquitetura baixa, usa e abusa de ar condicionado em salas e gabinetes, “mas não dispõe de um único telhado verde!”
Além disso: mesmo com todo o volume de documentos, carnês e correspondências que emite, o governo municipal parece ainda desconhecer a existência de papel reciclado. “E, para aumentar a vergonha, ele (o papel reciclado) não é utilizado nem ao menos no cartão de visitas do Secretário do Meio Ambiente!”, anota.

Tem mais
(Pra arrematar, mais de Tavinho Caúmo, agora sem interferências do colunista)
Vivemos numa cidade sem nenhum plano em relação às mudanças climáticas e às vulnerabilidades do município em relação a elas, sem nenhum programa de redução de emissão de gases de efeito estufa.
Vivemos numa cidade sem nenhuma campanha educativa sobre como consumir energia com eficiência nem inspeção veicular visando à redução da emissão de gases dos veículos.
O município também não implantou qualquer programa de solução ciclística para o transporte e, por fim, não proíbe e faz vistas grossas ao consumo de madeira ilegal, proveniente de desmatamento criminoso da Amazônia.
Não é tudo. Há muito mais a ser dito e a ser feito. O que foi mostrado já seria triste o bastante, mas o fato de não termos na Câmara Municipal um(a) vereador(a) sequer que represente alguma corrente de preservação ambiental ou, ao menos, que se aproxime disso, torna tudo ainda mais grave.
Aliás, continuamos sem, pois na gestão anterior, a vereadora Paula Frassinete, candidata de bandeira ambientalista, passou longe de agir como tal, exceto por dois ou três eventos midiáticos, e, a meu ver, tornou-se cada vez mais alinhada com os temas mais comuns, como os demais. E mesmo assim não foi das melhores, segundo o resultado das urnas.

Rubens Nóbrega, em 10 de janeiro de 2009.

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