Faltou dizer
Causa espécie ao ambientalista a omissão do poder público diante do comportamento de determinadas construtoras que “extrapolam o imaginável quando seus engenheiros decidem que é lícito encher colunas e bater lajes até tarde da noite, ultrapassando numa eternidade os limites de ruídos permitidos pelas legislações aplicáveis aos locais e aos horários dos trabalhos”.
“Aí, deveria entrar nosso poder público, mas ele não entra. Ao contrário, desaparece e se omite, e num descaso sem pudor faz com que o errado fique certo e o certo se perca no meio dessa anarquia de valores”, ressalta, com autoridade de quem inúmeras vezes recorreu sem sucesso aos órgãos públicos que deveriam zelar pelo cumprimento das leis e respeito aos direitos dos cidadãos.
Na última vez em que precisou da Semam, para interromper o barulho de uma obra que invadiu a noite e seus ouvidos, Tavinho esperou três horas para nada, por nada. A fiscalização não apareceu, mas sorte minha que ele reapareceu para dar notícia da sua justíssima revolta e oportunidade ao debate em torno de tema importante como esse.
Só não cumpri direito a minha parte porque não reproduzi na terça o texto de Tavinho por inteiro e soneguei o fecho que merecia ter sido publicado desde então. Porque é sempre muito bom, além de relevante e pedagógico, o que ele escreve. Para me redimir com Tavinho e os leitores possíveis, eis, após os asteriscos.

É triste ter que reconhecer que, mesmo em tempos de discussões mundiais sobre mudanças climáticas, atividades sustentáveis e sociedades do futuro, aqui em João Pessoa continuamos na mesma. Afinal, na Aldeia das Neves, meio-ambiente nunca deu votos, apadrinhamento político ou recursos para campanhas eleitorais.
Construtores e profissionais ligados à construção civil que conheço sabem que não sou extremista, retrógado nem contra o desenvolvimento social e econômico. Tenho, isto sim – assim como a maioria deles – a plena convicção que o homem é parte integrante, maior e essencial do meio-ambiente, mas tem que se desenvolver em harmonia com ele e, por isso, a responsabilidade de tornar-se nesse processo o ser com a maior sustentabilidade dentre todos. E nada mais sustentável nessa vida que o respeito às leis, ao próximo e ao Estado Democrático de Direito.

Rubens Nóbrega, em 29 de outubro de 2009.

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