As vítimas do barulho, também voluntários na guerra contra os bregas e barulhentos debocis (figuras que se comportam, a um só tempo, como dementes, boçais e imbecis), voltam a se manifestar na coluna.
É pra ver se alguma autoridade (Ministério Público, Polícia, órgãos ambientais de Estado, prefeituras etc.) faz alguma coisa para coibir ou inibir a ação desses agentes poluidores que infernizam ouvidos, juízo e sossego das pessoas de bem.
Antônio Gondim: “Creio que todos nós já sentimos o desprazer da presença de debocis que chegam para cortar o barato. No melhor da curtição com amigos ou familiares, em barzinhos ou coisa semelhante, pára um debocil desses, levanta a tampa do porta-malas, ajusta o potenciômetro ao máximo e manda aquele som insuportável. Sem pedir licença, invade nosso espaço com música de gosto duvidoso. Ainda que fosse de bom gosto, não se justificava. É um tipo de violência!”.
Tavinho Caúmo: “Sua coluna do último sábado (21) trouxe mais um fato que ilustra a trágica situação em que vive o cidadão de bem em nossa cidade. Agredido por imbecis de um lado, e, por outro, ignorado  pelos nossos poderes públicos (…) Os números (de redução do barulho na Capital) que a Semam (Secretaria Municipal do Meio Ambiente) tem por hábito mostrar, além de duvidosos e manipuláveis, não representam de forma alguma que o cidadão esteja sendo bem atendido.
Atribuir uma queda de mais de 60% na poluição sonora em João Pessoa é, além de uma brincadeira fora de hora e de lugar, ofensa a nossa mínima capacidade de raciocínio. Se assim fosse, estaríamos vivendo num oásis! É claro que a cidade tem estado menos barulhenta ultimamente. Isso ocorre todos os anos nos meses de inverno. Especialmente com a incidência das chuvas fortes e constantes dos últimos meses. Mérito para São Pedro e não para “Santo Antonio”.
Maria (nome fictício): “Moro em Tambaú (Capital), bem perto do posto conhecido por Select, e é comum acordarmos altas horas com barulhos de som ou de cantadas de pneus de pegas que fazem na rua onde, por sinal, está localizada a 10º Delegacia Distrital de Polícia Civil. Na última segunda-feira, 23, começo da madrugada, acordamos com um desses debocis com um som estrondoso. Sei que o posto proíbe carros com sons ligados, só que só desligam quando chegam lá e depois de certo tempo.

De hospital a velório
O professor Silvino Espínola, cidadão que também não suporta tanto barulho na cidade em que vive, chama a atenção para um quiosque instalado na Praça Caldas Brandão, onde fazem instalação e “afinação” de som de carros.
A praça é aquela que fica na frente de um dos maiores hospitais da Capital, o Santa Isabel, e também da Faculdade de Enfermagem Santa Emília de Rodat.
Clínicas médicas, um posto de gasolina e até um velório complementam a vizinhança do quiosque que costuma testar no mais alto volume a “qualidade” dos sons que instala. Ou seja, inquieta de pacientes a quem alcançou a quietude eterna.
Isso, de segunda a sexta. Porque os sábados geralmente são reservados para competições entre poluidores para ver quem tem o som mais potente, para ver quem tem maior capacidade de perturbação continuada e impune.

Condenados à barbárie?
O professor e jornalista Arael Menezes comenta o caso de Dona Luiza Osterland, que está trocando a Paraíba por Santa Catarina, onde espera encontrar o sossego que perdeu morando em Intermares, outro paraíso dos debocis.
Arael lembra, contudo, que zoada “não é a única tribulação que incomoda os pobres moradores da antiga bucólica cidade de João Pessoa, especialmente os muitos que não têm a benesse de mudar-se para outro local, onde a civilização já chegou” e seus governantes tanto cumprem como fazem respeitar a lei.
Ela lamenta também degradação do meio ambiente, especialmente na orla marítima, “onde barracas ilegalmente instaladas devastam flora, fauna e condições naturais do terreno, causam poluição ambiental com seu lixo, restos de comida e despejos de dejetos de cozinha e incentivam a poluição sonora”.
Arael teme que estejamos condenados à barbárie, “pois nenhuma autoridade paraibana toma qualquer atitude para coibir esses abusos e, muitas vezes, sinalizam até com uma tolerância que não conseguimos entender, com ocorre em Tambaú, Penha e Bessa”.
Nessas praias, observa, o maior fator de poluição é tolerado e até incentivado, como se vê no Bessa, “onde projeto de reurbanização incluiu a permanência das barracas e foi paralisado, penalizando ainda mais os moradores da área, porque a paralisação das obras acelerou a degradação (foto), abrindo caminho para a ação da chuva”.
Arael encerra sua mensagem provocando o prefeito Ricardo Coutinho (PSB) com fina ironia: “É pena que essa obra (no Bessa) não possa ser incluída nas inaugurações prometidas pelo nosso alcaide”.

Rubens Nóbrega, em 26 de julho de 2007.

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