Horrorfest em Tambaú
É com esse título que Tavinho Caúmo, militante ambientalista, resume a sua avaliação de um festival de motocicletas realizado no último final de semana na mais concorrida praia de João Pessoa. O escrito e a revolta do homem vão no escrito a seguir.
Ontem, uma placa em Tambaú chamou-me a atenção e, pela mensagem, despertou outro surto de indignação.
Instalada pela nossa Prefeitura, na esquina da Av. dos Navegantes com Rua José Augusto Trindade, traz os seguintes dizeres: de um lado “A cidade está linda. Ajude a preservá-la.” E do outro, uma mensagem de incentivo à conservação do meio ambiente.
A revolta vem por isso estar a, apenas, uma quadra da Av. Antonio Lira, que sofria o diabo, com barulho e sujeira pra todo lado. A bagunça andando solta, desrespeitando cidadãos e contribuintes, fazendo comédia com as nossas leis, na porta de nossas casas.
Ruas tomadas pela imundície, carros bloqueando garagens, barracas que transformaram nossas calçadas em camping urbano e banheiro público, comércio irregular e poluição sonora incessante – muita poluição sonora – transformando aquela porção de Tambaú numa favela a céu aberto.
Enquanto os interesseiros e ignorantes, promotores desse tipo de evento que emporcalham a nossa cidade, armam seus esquemas ilusórios, nossas autoridades (?) se perdem na ânsia do binômio turista-dinheiro, e vendem a alma por preço irrisório, prostituindo nossos direitos e o respeito que nos é devido em troca desse pseudo-turismo de décima quinta categoria, se for.
Por três dias, Tambaú se sujou e o poder público sequer deu a mínima!
Secretarias submissas fingem não ver e outras, que tudo podem, fazem de conta que não sabem de nada. Afinal, já é moda nacional esse “não saber do que acontece”, e João Pessoa assim, contra todos e para alguns, novamente adota a política do “tudo errado, mas tudo bem!”
A citada placa deveria ser retirada do local e transferida para o Centro Administrativo Municipal, com leitura diária e obrigatória por todos que fazem (ou deveriam fazer) o nosso poder municipal. Poder que hoje é tão pródigo e eficiente em obras, mas que ainda desconhece que o zelo pelo meio ambiente vai muito além do plantio de umas poucas mudas pela cidade.
Num plágio que o Greenpeace há de me perdoar, fica uma sincera sugestão ao nosso alcaide (como você o chama): Senhor Prefeito, “o que é bonito por natureza não se deixa ser destruído por ignorância”.

Rubens Nóbrega, em 07 de novembro de 2007

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