Pense uma semana proveitosa, essa que passou!
O escritor e poeta Ronaldo Monte deu o pontapé inicial. Abriu no seu Blog do Rona, com o artigo intitulado “Som e sofrimento”, a edição 2009 da Campanha contra o Barulho na Capital e Grande João Pessoa, quem sabe em toda a Paraíba.
O jornalista e filósofo Petrônio Souto aderiu no ato e formou novo pelotão na guerra contra a zoada, escrevendo belíssimo artigo sobre o assunto – “No reino do barulho” – publicado em dois ou três sítios eletrônicos de grande audiência.
Simultaneamente, a escritora Clotilde Tavares publicou no Wscom “Almas pequenas”, genial libelo condenando a barbárie praticada diária e impunemente contra a audição, sossego e, sobretudo, o direito das pessoas de bem ao silêncio.
A professora Rossana Honorato, secretária adjunta do Meio Ambiente na Capital, colocou-se à disposição para ajudar com o seu mais aplicado empenho a luta de cidadãos e cidadãs que se articulam para combater tamanho absurdo.
O professor e jornalista Arael Menezes e o ambientalista Tavinho Caúmo também notificaram a corrente e mandaram dizer que estão a postos, como sempre, para a luta que se quer mais organizada e articulada contra os debocis.
Levo a maior fé. Depois de tais manifestações, não é possível que os agentes públicos competentes e mesmo os incompetentes não apóiem nem façam cumprir a lei em defesa da população permanentemente acossada por esses criminosos.
Porque não é outra coisa além de crime o que fazem esses malas com suas malas de som no mais alto volume, impondo à maioria silenciosa e aturdida a sonoropornografia que ofende o bom senso, o bom gosto e o que nos resta de civilidade.

Um pouco de cada
Reproduzirei a seguir alguns dos melhores trechos da expressiva e incisiva contribuição que as pessoas citadas deram na semana finda, com seus escritos e comentários, à Campanha contra o Barulho.
Ronaldo Monte: “Os problemas causados pelo uso inadequado dos aparelhos de som já caracterizam uma epidemia. São, portanto, um caso de saúde pública”.
Petrônio Souto: “O barulho estimula a violência. A pessoa submetida a fortes descargas fica excitada, fora de si, predisposta a ter reações animalescas (…) Muitos crimes brutais, praticados por motivos fúteis, acontecem sob barulho intenso”.
Clotilde Tavares: “É uma verdadeira barbárie o que presenciamos dia e noite (e o pior é quando é à noite), nas ruas e avenidas da nossa cidade, onde pessoas sem a menor noção de respeito perturbam impunemente os outros com suas caixas de som envenenadas de mortíferos decibéis”.
Arael Menezes: “Tem sido um martírio essa prática abusiva de som nas alturas, ainda mais com músicas de gosto absolutamente duvidoso. Imaginem, então, a angústia e aborrecimento que atingem moradores desta nossa terra sem lei e sem ordem, que têm o desprazer de morar junto a bares e restaurantes com música ao vivo ou telões para transmissões esportivas”.

Sonho
O amigo Petrônio Souto tem um sonho que compartilhou comigo em mensagens trocadas no correr da semana sobre essa nossa peleja, já bem antiga, contra os zoadentos que nos infernizam.
“Já pensou, velho Rubens, se João Pessoa se tornasse conhecida, no Brasil e no exterior, como a cidade em que seus moradores respeitam de fato a faixa de pedestres e valorizam de verdade o silêncio?”, provoca.
“Tenho certeza de que pessoas de todo o mundo gostariam de conhecer povo tão especial. Seria um excelente apelo para atração de turistas, não? Será que a gente chega lá?”, instiga.
Evidente que seria e será um grande diferencial para a nossa imagem, dentro e fora do país, onde outras capitais e cidades de porte assemelhado disputam com João Pessoa o título de lugar mais barulhento do mundo.
Estamos ganhando, por enquanto. Com a ‘inestimável’ ajuda dos vizinhos de Cabedelo, Bayeux e Santa Rita. Estamos ganhando tanto em barulho como inoperância, omissão, incompetência, ou as três coisas juntas, dos gloriosos poderes públicos.
Mas o sonho de Petrônio, uma vez materializado, será melhor ainda para a nossa auto-estima. Pelo menos a minha, que vai a zero quando os debocis atacam os pavilhões auriculares do coletivo do bem.
O barulho derruba e deprime quem se sinte impotente para reagir ou mesmo me queixar a quem quer que seja quando a oportunidade se apresenta.
Só temos alguma defesa e proteção na Capital graças à Secretaria de Meio Ambiente (Semam). Mas é ainda muito pouca, além de superficial e tímida, no conceito do ambientalista Tavinho Caúmo, meu guru em questões do gênero.
Mesmo assim, e até por isso, não devemos nem podemos nos render.
Vamos fazer, então, o barulho do bem com o ruído de nossa revolta diante do barulho do mal, mal que o sonho de Petrônio há de extirpar, porque o sonho dele é sonho que se sonha junto e vira realidade, como ensinou o poeta Raul Seixas.
Além do mais, graças ao bom barulho vamos finalmente acordar e incomodar nossas autoridades. Com o cuidado para não deixá-las moucas, mas também sem permitir que continuem a fazer ouvidos moucos.

Rubens Nóbrega, em 11 de janeiro de 2009.

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