“Acho que já é hora de fazer valer os direitos dos cidadãos!”, disse-me ontem o professor e jornalista Arael Menezes, associando-se aos protestos do ambientalista Tavinho Caúmo contra as reiteradas agressões dos produtores de barulhos e desrespeitos de toda a ordem que atuam impunemente na Capital paraibana.
Além de fazer coro com Tavinho e muita gente boa que não se manifesta publicamente, mas se manifesta em privado, Arael faz parte da crescente audiência – como diria Helder Moura – que está ligada tanto na ação dos agressores como na omissão de quem deveria combatê-los, até por que tem mandato e é pago para tanto.
A intervenção de Arael Menezes veio também a propósito do debate (em torno da questão) motivo por denúncia de Tavinho Caúmo – sobre o ‘pode tudo’ de construtoras – e o contraponto oferecido pelo empresário Irenaldo Quintans, presidente do Sindicato da Construção Civil de João Pessoa (Sinduscon/JP).
Passo a transcrever o comentário de Arael. Depois eu volto.

Meu caro amigo, acabo de ler a alentada defesa que o presidente do Sinduscon faz para as atividades da construção civil, notadamente no seu aspecto de causadora de muitos dissabores aos pobres moradores desse burgo de Nossa Senhora das Neves, quase sempre totalmente desassistidos pelas autoridades, ditas competentes.
Não negando os seus méritos, principalmente em um Estado tão pouco bafejado pela roda da fortuna, como o nosso, vale lembrar que as queixas e reclamos publicizadas pelo ambientalista Tavinho Caúmo são totalmente pertinentes, pois não são poucos os dissabores que uma obra traz à comunidade vizinha e a transeuntes que por ali transitem.
É material de construção depositado na via pública, é descarga de caminhões a qualquer hora do dia ou da noite e, o pior, concretagem de lajes e colunas até altas horas da noite, com o barulho irritante do tráfego dos caminhões-betoneira e das compactadoras da mistura a prejudicar o sono e a tranquilidade da circunvizinhança.
O desrespeito à legislação vigente e aos direitos dos cidadãos é patente e a justificativa dada para a continuidade de ação desse tipo é pura “estória para boi dormir”, pois não custa nada, é apenas um procedimento simples de planejamento, programar essas atividades para início no começo do dia e não para os finais de tarde, como vemos sempre acontecer.

Outro barulho
Essa veio de um colaborador da coluna que se fez porta-voz de vizinhos da casa noturna Zelig Circus Bar, recém inaugurada na Fernando Luiz Henrique, segunda principal do bairro do Bessa, de João Pessoa.
Denuncia ele o imenso transtorno causado aos moradores por shows de humor e comédia stand up, música ao vivo, cantorias etc. que o ou a Zelig Circus oferece nas quintas, sextas e sábados, começando tarde da noite, entrando pela madrugada.
“O som e a algazarra produzidos pelos instrumentos musicais, cantorias e aplausos impossibilitam o sono e a tranqüilidade e tiram o sossego da vizinhança”, diz, ressaltando que ruim piora muito nas noites do sábado.
“É quando o trânsito fica caótico com os carros procurando estacionamento nas calçadas e, quando cai a madrugada, os freqüentadores da casa noturna saem em grupos, buzinando, dando partida em seus carros, quase todos ao mesmo tempo”, relata.
Conclui informando que os moradores estão perplexos e revoltados, sem entender como uma casa noturna, cercada por todos os lados de prédios e residências, tem alvará para funcionar com shows e música ao vivo durante a noite, após as 22h.

Penso que tudo isso poderia ser evitado se o poder público adotasse ou seguisse uma medida simples: somente permitir funcionar casa noturna com esse perfil se ela tiver isolamento acústico para limitar o som – e o barulho – ao ambiente interno.

Rubens Nóbrega, em 30 de outubro de 2009.

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