Se as construtoras podiam muito no tempo de Cícero Lucena prefeito, agora, com Ricardo Coutinho na Prefeitura da Capital, parece que podem muito mais. Essa é a impressão do ambientalista Tavinho Caúmo, baseado em fatos reais. Semana passada, ele passou maus bocados com o barulho infernal vindo de um canteiro de obras nas proximidades de sua residência, em Tambaú.
Pediu presença e providências à Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam), para ver se interrompia o serviço que entrou pela noite e ameaçava ganhar a madrugada, com perda total do sono, do sossego e até da audição de quem estivesse nas redondezas e quadradezas, como diria alguém de quem esqueci o nome. Pois, três horas depois de espera, nada de nada nem do pessoal da Semam.
Ainda bem que o trabalho parou (por volta de nove da noite), mas deixou na vítima a sensação de abandono que acomete o cidadão quando precisa com urgência da intervenção do poder público contra algum interesse poderoso privado. A situação pela qual passou exemplifica bem a desídia governamental diante do ‘tudo posso’ de construtoras que passam feito trator por cima das leis e dos direitos alheios.
O que Tavinho denuncia acontece rotineiramente na Capital. Basta reparar como as construtoras transformam calçadas em depósitos de areia, brita, blocos cerâmicos e entulhos de todo o tipo, “privatizando o uso de um espaço público e obstruindo a livre circulação, o que obriga as pessoas, inclusive portadoras de necessidades especiais, a dividir o espaço com veículos, em pleno meio da rua”.
O fato de ‘gerar emprego’ (como se não gerasse lucro, também) não dá ao empresariado da construção civil direito algum de fazer essas coisas, muito menos desrespeitar os horários permitidos para a execução de suas obras, causando barulhos e incômodos variados aos vizinhos, testando-lhes os limites de audição e paciência ao ritmo de misturadores de brita e cimento sob a percussão de bate-estacas.
Por essas e outras, cidadãos como Tavinho Caúmo resumem e desabafam assim o que sentem na pele e nos ouvidos quando alcançados pelo poderio das construtoras: “É o retrato do poder do lobby. De um lado, o humilde contribuinte, que paga apenas um valor de IPTU; do outro, os pagadores das famosas Outorgas Onerosas e de Taxas e Impostos que sustentam a máquina municipal. Confronto de David e Golias, separados por um poder público pífio no cumprimento de suas obrigações, omisso por interesses econômicos e impregnado pela obtenção de vantagens políticas”.

Rubens Nóbrega, em 27 de outubro de 2009.

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