“Chá, café, fubá, margarina… margarina, que margarina?” – aí o passarinho cantava ao longe: “Bem-te-vi”! Lembrei do clássico comercial de TV, com a tosca carrocinha e os garotos ditando a lista de compras, ao caminhar pela beira-mar de Carapibus, num recente final de semana. Delineando as marcas curvas que as ondas deixavam na areia, sobrepunha-se um rosário de ingredientes que não eram exatamente os do comercial “Bem-te-vi”, mas bem que me lembrou.
Evidentemente que o plástico era o rei do lixo. Potes de margarina, garrafas de refrigerante, ketchup, maionese, goiabada, danones e danoninhos, uma infinidade de sacos de “pipos” e seus descendentes diretos e indiretos. Triste amostra da falta de educação de um povo que parece ignorar completamente o meio ambiente que habita.
Mas não se pode culpar apenas o jogador de lixo, que na maioria das vezes o é por falta de instrução. Há quanto tempo não se vê nos meios de comunicação uma campanha educativa que advirta para não se atirar lixo nas ruas, nas praias? É tão fácil educar… Vejam a diferença com que hoje se trata o pedestre. Bastou uma única campanha, que já está inclusive precisando se renovar, pois a educação não pode parar, para não cair no esquecimento.
Há duas maneiras antagônicas e complementares com as quais se instrui a sociedade urbana: pelo conhecimento e pela aplicação penal. Não é somente porque são “civilizados” que os europeus, australianos, neozelandeses, norte-americanos não jogam lixo em via pública. Mesmo porque muitos dos povos “avançados” são os que mais poluem o meio ambiente com dejeções industriais. E sim pela carga das multas e outras severas penalidades que lhes são impostas, sem impunidade.
João Pessoa e o litoral paraibano ora se preparam para fincar as bases de um turismo promissor. Um turismo que precisa desde já ser bem cuidado, seletivo, correta e sustentavelmente direcionado. O elo “dourado” que se criará entre Areia Vermelha, Jacaré, Picãozinho, Altiplano, Seixas, Penha, Jacarapé, Gramame, Costa do Conde, Estação Ciência, Centro de Convenções, Pólo Turístico, é único (!) e como tal precisa ser tratado. Uma plêiade de valiosos ingredientes turísticos cujo potencial há de ser devidamente conduzido.
Nenhum turista é como o criminoso que costuma “voltar ao local do crime”. Pelo contrário, foge dos desprazeres para sempre. Com os atuais investimentos em resorts, hotéis, condomínios e graciosas pousadas que despontam no litoral sul, aumenta muito a responsabilidade do poder público e de quem gere o turismo. Lá não se vê uma única lixeira nas praias e a coleta é a mais precária possível. Urge que se atente, mas não se afugente quem ainda nem chegou. Aquele que quer ver, e tornar a ver as belezas da Costa do Conde, mas não as feiúras de uma “Costa do Lixo”.

Germano Romero

 

Publicado no jornal “Correio da Paraíba”, em 23 de outubro de 2009.

Anúncios