O acúmulo do plástico nos lixões é um problema sério, que ameaça a saúde do planeta, O grande vilão da história é a inocente sacolinha inocente que você recebe de qualquer comerciante, em qualquer lugar que comprar algo. E isso é a regra geral no dia-a-dia das nossas cidades, sem falar nos supermercados onde, dependendo do tamanho da compra, são gastas dezenas de sacolas por consumidor.
O Brasil produz cerca de 18 bilhões de sacolas por ano e mais de 1 bilhão delas são distribuídas todo mês pelos supermercados. Oitenta por cento viram sacos de lixo doméstico e vão parar em aterros sanitários onde levarão cerca de 500 anos para se decompor. Para produzir uma tonelada do material com que é feita a sacolinha, são necessários 1.140 kw/hora, energia esta que daria para manter aproximadamente 7600 residências iluminadas com lâmpadas econômicas por 1 hora. Dez por cento do lixo é composto de sacolas plásticas, dos quais menos de 1% é reciclado, porque é mais caro reciclar um saco do que produzir um novo.
A solução? Ora, os estudos sobre um plástico biodegradável, apesar de defendidos por alguns, não convenceram a maioria da comunidade científica, que questiona se esse plástico se degrada mesmo ou apenas se subdivide em fragmentos minúsculos, poluindo ainda mais. No mundo inteiro, os governos já estão tomando medidas para evitar o desastre. Na Paraíba já existem leis a respeito, o que é muito auspicioso.
Mas ainda penso que a forma mais eficiente de resolver o problema parece ser conscientizar a população para o uso de sacolas de pano retornáveis (as “ecobags”) ao fazerem suas compras como era antigamente. Eu mesma tenho as minhas, e sempre as levo quando vou fazer supermercado. Acho muito chique, meu caro leitor. Tenho orgulho de sair do supermercado sem uma só sacolinha plástica.
Agora veja outra situação: ontem fui à padaria da esquina. Comprei queijo fatiado, um “pastel-de-belém”, uma fatia de bolo e quatro pães. Distraída, olhando o jornal em cima do balcão, não tinha visto o balconista arrumando minhas compras. Ele colocou cada um dos itens numa sacolinha de plástico individual, que por sua vez foram acomodadas, as quatro, numa maior. Cinco sacolas. Quando vi todo aquele exagero de plástico, pedi a ele uma sacola de papel – toda padaria tem – e rearrumei as coisas dentro dela.
Não é preciso fazer sermão, nem dizer “Estou salvando o planeta!” ou coisa parecida. Se fizer isso, você corre o risco de se tornar um “eco-chato” e dilui a força da única tecnologia ao alcance de todos nós que pode mudar o mundo: o exemplo.

Clotilde Tavares

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Publicado no jornal “Correio da Paraíba”, em 21 de maio de 2010.

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