Dia desses iniciamos um debate bem intencionado no grupo “Proteção do Meio Ambiente da Paraíba” (PMAPB). Muitos sabem de nosso empenho pessoal e profissional, testemunhos, artigos e campanhas em prol da ecologia. Mas, há quem veja arquitetos como “especuladores” ou “interesseiros”. Mesmo os que amam essa cidade, por nela terem nascido e se criado, cientes dos seus preciosos valores ambientais e paisagísticos.
O assunto era a lei que limita a altura de edifícios na orla, que após algumas décadas pode ser avaliada, somando-lhe as consequências da posterior adoção de afastamentos de apenas 2 metros para os prédios de três andares. Agora se observam compridos edifícios, bem próximos entre si, numa congestionada configuração urbana, sem afastamentos, jardins, nem áreas permeáveis, comprometendo sensivelmente os níveis de conforto ambiental e paisagístico. Já os chamam “espigões deitados”.
Infelizmente debates ambientalistas sempre descambam para paixões, ideologias reprimidas e a velha discussão: “capitalismo x comunismo”. Daí, quando danos ambientais, por mais graves que sejam, são praticados pelas classes pobres, ninguém condena. Mas, basta um investidor ou empresário da construção – que promove desenvolvimento e progresso com trabalho duro, honesto, e dá muita oportunidade de emprego – tentar construir algo na cidade, para ser alvo de todas as acusações possíveis.
Há décadas que os rios Jaguaribe, Sanhauá e outros agonizam poluídos, que nossas praias primitivas se deterioram invadidas por lixo barracas, bares, moradias insalubres, com omissão de “ambientalistas”, de órgãos de controle ecológico, do Patrimônio Público, e até do MP, mas ninguém levanta uma palha. Só porque são “crimes cometidos por gente pobre”…
Quando se quis construir um pequeno hotel na ponta do Cabo Branco, todo documentado com alvará de construção e demais licenças, no local onde já existem bares, churrascaria, boate e restaurantes, houve a maior gritaria e até prisões. Hoje, jazem lá as “belas” ruínas, para regozijo dos “ecólogos”… Mas, nas beiras das falésias do litoral norte e sul, pululam barracas e aberrações de todo tipo. E ninguém faz nada…
Qualquer diálogo sobre a atual ocupação da orla marítima que proponha a revisão da norma nunca é devidamente compreendido, e gera discussão prolixa e infrutífera. Talvez se prefira mesmo continuar pavimentando a orla com prédios bemmmm compridos, quase colados, sem jardim nem área permeável, em cima da rua, e pronto. Quem sabe esse “cemitério de “espigões que se deitam” sobre o radicalismo e a insensibilidade termine agradando aos “ambientalistas”. E aos que acham um edifício alto, rodeado de grandes jardins, recuos e áreas verdes, mais feio do que esgoto e lixo jogado nas praias e nos rios, só porque está perto do mar…

Germano Romero

 

Publicado no jornal “Correio da Paraíba”, em 19 de outubro de 2009.

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