O Governo Estadual alardeou o início da construção do Centro de Convenções.
O dito cujo será edificado na área anteriormente destinada ao Pólo Turístico do Cabo Branco.
Essa novela começou quando, em 1986, o governador Tarcísio Burity e depois Milton Cabral destinaram 630 hectares para construção de hotéis, apart-hotéis, equipamentos de lazer, centro comercial, centro de convenções, campo de golfe, clube hípico e outros brebotes.
A coisa ficou no papel: na época enterraram 10 milhões de dólares nas areias de Jacarapé. Hoje, no canteiro central da rodovia que conduz ao lugar já estão as novas placas publicitárias. Claro que quando essa coisa for inaugurada o fluxo de turistas para a região aumentará aos milhares, todos em busca das belezas naturais que a área oferece.
A bronca é que a maioria das praias em redor do novo centro de convenções está entregue às moscas.
O ponto turístico de maior relevância internacional que a Paraíba possui é a Ponta do Seixas, Extremo Mais Oriental das Américas. Há anos que governos ensaiam tentativas de dar-lhe a importância que ele merece, ações que ficam somente no “ensaio” mesmo.
O prefeito Carneiro Arnaud, em 1986, aprovou Lei Municipal nº 5.109, que deu às ruas da praia nomes a caráter: Estrela do Mar, das Arabaianas, dos Pescadores, das Lagostas, dos Mariscos, dos Camarões, dos Cajueiros, etc. Em 1988 aprovou outra lei, a de número 5.918, que criou a Praça do Sol, que até hoje ninguém construiu. Na época, o arquiteto Afonso Bernal, da UFPB, projetou um monumento para ser colocado no centro do logradouro. Deve estar embolorado, meio comido pelas traças em alguma gaveta do serviço público.
O que mais chama atenção no Ponto mais Oriental é a quantidade de barracas improvisadas com madeira, lata ou de alvenaria mesmo, todas na pior condição sanitária que possa se imaginar. A favela mais oriental das Américas, com moradores à margem da sociedade, sem compromisso com a cidadania, sem pagar os impostos que todos os ouros moradores da praia pagam!
A Secretaria de Turismo do Estado nunca instalou nem um quiosque para dar informações aos turistas que aparecem por lá.
E o pior de tudo: o mar está levando a Ponta do Seixas!
Os moradores vêm erguendo verdadeiras muralhas de pedra numa tentativa de defender o lar de cada um deles, moradia que é o patrimônio desses cidadãos.
Do jeito que a coisa vai o Extremo mais Oriental passará a ser noutro lugar, provavelmente no Rio Grande do Norte. E da forma que o oceano vem engolindo a barreira do Cabo Branco, num dia de maré alta veremos o Farol do Cabo Branco amanhecer caído dentro do mar. Depois virá a Estação Ciências… Pode demorar décadas para acontecer, mas, sem providencias, acontecerá mais cedo ou mais tarde.
No primeiro governo do prefeito Cícero Lucena foram realizados exaustivos estudos para proteção do Cabo Branco e praias adjacentes, entre elas a do Seixas. Contrataram a Companhia das Docas do Rio de Janeiro e uma empresa norueguesa altamente especializada no assunto.
Apresentada a solução, um enrocamento com pedras frente à barreira, uma horda de xiitas oriundos da UFPB e APAN, fizeram um movimento intenso contra a solução encontrada, embasados num argumento hilariante: seriam destruídas a flora e a fauna marinhas da região. Os da APAN diziam até que desapareceria um tipo de esponja marinha usada no tratamento de câncer. Uma graça…
Ninguém nunca ouviu falar que alguém houvesse ficado curado de câncer chupando essa esponja da APAN. Mas a barreira do Cabo Branco continua caindo. O resto da fauna marinha, peixinhos, caranguejos, mariscos e conchas, que existem lá e da costa do Maranhão até a da Bahia, continua no Cabo Branco, sem cheirar nem feder.

Marcus Aranha

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Publicado no jornal “Correio da Paraíba”, em 04 de outubro de 2009.

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