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O que teria havido realmente com a “finada” Micaroa?… Àquela época, informou-se que ela fora proibida na orla marítima por causa de inúmeras reclamações dos moradores, fundamentadas na famigerada “perturbação do sossego alheio”… Uma justificativa não muito plausível, porquanto não há razões para banir um monumental desfile sob um argumento “trivial”, em se tratando de costume tão facilmente encontrado no nosso cotidiano: fazer barulho em via pública.
Na verdade, os eventos que ainda ocorrem no Busto de Tamandaré, cuja vizinhança é predominantemente residencial, vêm perturbando muito mais do que a finada Micaroa. Pois, ao invés de anuais, como era ela, são muito mais freqüentes. Marchas, caminhadas, estações de verão, shows e outras manifestações pitorescas, grotescas e populescas insistem em acontecer permanentemente ali. Domingo passado, houve uma “passeata gay” que foi uma verdadeira afronta à tal “Lei do Silêncio”. Telefonamos para a Semam, eu, alguns amigos e familiares que também residem aqui perto, e os atendentes informavam com a maior naturalidade que o evento “havia sido autorizado,” e que estava sendo “monitorado pelos fiscais”… Ora, ora, só se os detectores usados pelos funcionários do plantão estão adulterados, porque a barulheira foi pior do que 10 Micaroas…
Bem, já está mais do que provado que contra essa vergonhosa poluição sonora da “Capital das Acácias”, hoje “Capital do Barulho”, o que falta mesmo são vontade política e educação. Assim como ações da Justiça e das polícias. Nem precisaríamos recorrer a leis municipais, bastava obedecer ao Código Penal, que vige há quase 70 anos e é bastante claro no artigo 42: “Constitui contravenção penal a perturbação do sossego alheio”. E ainda: “é dever de todos zelar pela tranquilidade pública”.
Diante disso, por que não se proíbem definitivamente que eventos barulhentos aconteçam próximos a áreas residenciais, como no busto de Tamandaré, e não se os transferem para a Lagoa, o Ponto de Cem Réis, o Varadouro, Ronaldão, Almeidão e outras áreas afins, onde não há gente morando por perto? E por que não podemos chamar as polícias ao feito quando houver contravenção prevista no Código Penal?
A finada Micaroa foi uma injustiçada. Morreu hipocritamente como uma coitada “cabra expiatória”. E já começamos a sentir saudades dela, que só berrava uma vez no ano… Depois ela reencarnou em muitos filhotes que proliferam no Busto do (já surdo) Almirante Tamandaré, e continuam a agredir a ordem pública, o sossego alheio, sob a égide da eterna impunidade e alienação dos poderes públicos.
Mas, faz parte… Pois, quando chegam as campanhas eleitorais, é justamente a grande maioria dos políticos que mais produz poluição sonora por aí afora. Pobre Micaroa… sobrou pra ela.

Germano Romero

 

Publicado no jornal “Correio da Paraíba”, em 20 de novembro de 2009.

Será que todo mundo já foi capaz de sentir na alma os encantos divinos que vêm do mar? E de conseguir escutar algo da história sutilmente escrita no barulho de suas ondas? Quantos aprendem, ou ao menos percebem as lições que nos dá o movimento das marés, lua após lua?
E por falar em lua, o que será que as pessoas realmente experimentam quando a veem se derramando em prata, nos reflexos de uma noite sobre o oceano?… Digo isso porque penso, às vezes, que perdemos o “fio da meada”… ou melhor, o siso.
Quando caminho nas areias que beiram o mar, seja onde for, aflora-me um sentimento tão sublime, tão especial, como se ali, naquelas águas, pudesse me enxergar inteiro, numa simbiose secularmente hereditária, biológica, genética, sei lá… E os ventos que chegam de trás do horizonte, e por cima das ondas deslizam, com cheiro de outros mundos, transportando em brisa o tempo que lá já aconteceu?
Mas, ao ver o sol debruçando-se sobre tudo isso, é que me chega a certeza de que progride a distância que nos separa das reverências à vida, do respeito ao silêncio, e às coisas de Deus.
A atual e quase generalizada indiferença perante o mar, a banalização e o total descuido com as praias podem, lamentavelmente, significar o rompimento da emoção humana com as origens mais profundas da Criação. Estaríamos desprezando a nossa essência cósmica, marítima? Ou nos esquecendo das “divinas virtudes” (hein, Gustavo Magno?)…
Que a vida sobre a terra veio do mar, todo mundo aprendeu. Mas é notório esqueceu, ou não mais assim sente. É fácil, ao mesmo tempo difícil, constatar tal lapso de memória logo nos primeiros passos que hoje se deem nas praias. Não são discretos os indícios testemunhos de tal denego: lixo e barulho, que pena!
Dirá você: “que caretice! Praia é curtição, lugar de “balada”, “calcinha preta”, “aviões do forró”. Danem-se as lavandeiras que brincam nas espumas brancas à luz da lua. Danem-se os bem-te-vis que dormem nos coqueiros de Tambaú. Morram os velhuscos que lá ainda sobrevivem de memórias toscas, do tempo em que se ouvia alguém lhes dar bom dia”…
Ora, ora, que tristeza esse meu pensar… Não seria preferível crer que assim não há de ser? Imaginar que, tão logo os prefeitos devolvam o olhar para as coisas que se foram, e que podem não mais voltar, tudo há de melhorar?
Assim como acreditar que Ricardo e Aluísio não se percam na volta, pois há tempo de sonhar. Ainda que choremos ao ver Tambaú e Coqueirinho dando adeus à Natureza, ao silêncio e à beleza.
Assim, estimados prefeitos, da capital e litoral, tenham em mente – pois nas mãos vocês já têm – o valor, sem medida, desses preciosos bens. Com certa autoridade, de quem andou um bocado por este mundo afora, confesso sem delongas: isso aqui é um paraíso. Muito cuidado com ele!

Germano Romero

 . 

Publicado no jornal “Correio da Paraíba”, em 11 de dezembro de 2009.

Do professor e jornalista Arael Menezes, mais um depoimento sobre determinadas empresas que na Capital do Estado podem agredir impunemente o direito e o sossego alheios porque acobertadas pela omissão ou conivência do poder público.

Ainda sobre suas manifestações a respeito de barulho urbano, assinale-se que as autoridades ditas “a quo” parecem completamente insensíveis ao bem estar da população, pois não se vê, em hora algum e em lugar nenhum uma ação efetiva e eficaz para combater esse abuso.
Esta semana, mesmo, lembrei-me desse fato, ao escutar, lá pelas 23 horas, o barulho das betoneiras e dos vibradores que faziam a concretagem da laje de um edifício que está subindo, bem próximo ao que moro, perturbando, naturalmente, a tranqüilidade e o sono de toda a vizinhança, em um procedimento que poderíamos taxar de “ato de barulho anunciado”, parafraseando o livro “Crônica de uma morte anunciada”, pois desde cedo da tarde se viam as máquinas sendo aprestadas e a iluminação feérica necessária ao trabalho noturno sendo instalada.
No fim fica-se a pensar que é uma realidade, aquilo que muitos dizem sobre ser a Paraíba, especialmente João Pessoa, um território livre, uma Tombstone tupiniquim, sem lei e sem ordem.

Rubens Nóbrega, em 04 de dezembro de 2009.

“Acho que já é hora de fazer valer os direitos dos cidadãos!”, disse-me ontem o professor e jornalista Arael Menezes, associando-se aos protestos do ambientalista Tavinho Caúmo contra as reiteradas agressões dos produtores de barulhos e desrespeitos de toda a ordem que atuam impunemente na Capital paraibana.
Além de fazer coro com Tavinho e muita gente boa que não se manifesta publicamente, mas se manifesta em privado, Arael faz parte da crescente audiência – como diria Helder Moura – que está ligada tanto na ação dos agressores como na omissão de quem deveria combatê-los, até por que tem mandato e é pago para tanto.
A intervenção de Arael Menezes veio também a propósito do debate (em torno da questão) motivo por denúncia de Tavinho Caúmo – sobre o ‘pode tudo’ de construtoras – e o contraponto oferecido pelo empresário Irenaldo Quintans, presidente do Sindicato da Construção Civil de João Pessoa (Sinduscon/JP).
Passo a transcrever o comentário de Arael. Depois eu volto.

Meu caro amigo, acabo de ler a alentada defesa que o presidente do Sinduscon faz para as atividades da construção civil, notadamente no seu aspecto de causadora de muitos dissabores aos pobres moradores desse burgo de Nossa Senhora das Neves, quase sempre totalmente desassistidos pelas autoridades, ditas competentes.
Não negando os seus méritos, principalmente em um Estado tão pouco bafejado pela roda da fortuna, como o nosso, vale lembrar que as queixas e reclamos publicizadas pelo ambientalista Tavinho Caúmo são totalmente pertinentes, pois não são poucos os dissabores que uma obra traz à comunidade vizinha e a transeuntes que por ali transitem.
É material de construção depositado na via pública, é descarga de caminhões a qualquer hora do dia ou da noite e, o pior, concretagem de lajes e colunas até altas horas da noite, com o barulho irritante do tráfego dos caminhões-betoneira e das compactadoras da mistura a prejudicar o sono e a tranquilidade da circunvizinhança.
O desrespeito à legislação vigente e aos direitos dos cidadãos é patente e a justificativa dada para a continuidade de ação desse tipo é pura “estória para boi dormir”, pois não custa nada, é apenas um procedimento simples de planejamento, programar essas atividades para início no começo do dia e não para os finais de tarde, como vemos sempre acontecer.

Outro barulho
Essa veio de um colaborador da coluna que se fez porta-voz de vizinhos da casa noturna Zelig Circus Bar, recém inaugurada na Fernando Luiz Henrique, segunda principal do bairro do Bessa, de João Pessoa.
Denuncia ele o imenso transtorno causado aos moradores por shows de humor e comédia stand up, música ao vivo, cantorias etc. que o ou a Zelig Circus oferece nas quintas, sextas e sábados, começando tarde da noite, entrando pela madrugada.
“O som e a algazarra produzidos pelos instrumentos musicais, cantorias e aplausos impossibilitam o sono e a tranqüilidade e tiram o sossego da vizinhança”, diz, ressaltando que ruim piora muito nas noites do sábado.
“É quando o trânsito fica caótico com os carros procurando estacionamento nas calçadas e, quando cai a madrugada, os freqüentadores da casa noturna saem em grupos, buzinando, dando partida em seus carros, quase todos ao mesmo tempo”, relata.
Conclui informando que os moradores estão perplexos e revoltados, sem entender como uma casa noturna, cercada por todos os lados de prédios e residências, tem alvará para funcionar com shows e música ao vivo durante a noite, após as 22h.

Penso que tudo isso poderia ser evitado se o poder público adotasse ou seguisse uma medida simples: somente permitir funcionar casa noturna com esse perfil se ela tiver isolamento acústico para limitar o som – e o barulho – ao ambiente interno.

Rubens Nóbrega, em 30 de outubro de 2009.

Faltou dizer
Causa espécie ao ambientalista a omissão do poder público diante do comportamento de determinadas construtoras que “extrapolam o imaginável quando seus engenheiros decidem que é lícito encher colunas e bater lajes até tarde da noite, ultrapassando numa eternidade os limites de ruídos permitidos pelas legislações aplicáveis aos locais e aos horários dos trabalhos”.
“Aí, deveria entrar nosso poder público, mas ele não entra. Ao contrário, desaparece e se omite, e num descaso sem pudor faz com que o errado fique certo e o certo se perca no meio dessa anarquia de valores”, ressalta, com autoridade de quem inúmeras vezes recorreu sem sucesso aos órgãos públicos que deveriam zelar pelo cumprimento das leis e respeito aos direitos dos cidadãos.
Na última vez em que precisou da Semam, para interromper o barulho de uma obra que invadiu a noite e seus ouvidos, Tavinho esperou três horas para nada, por nada. A fiscalização não apareceu, mas sorte minha que ele reapareceu para dar notícia da sua justíssima revolta e oportunidade ao debate em torno de tema importante como esse.
Só não cumpri direito a minha parte porque não reproduzi na terça o texto de Tavinho por inteiro e soneguei o fecho que merecia ter sido publicado desde então. Porque é sempre muito bom, além de relevante e pedagógico, o que ele escreve. Para me redimir com Tavinho e os leitores possíveis, eis, após os asteriscos.

É triste ter que reconhecer que, mesmo em tempos de discussões mundiais sobre mudanças climáticas, atividades sustentáveis e sociedades do futuro, aqui em João Pessoa continuamos na mesma. Afinal, na Aldeia das Neves, meio-ambiente nunca deu votos, apadrinhamento político ou recursos para campanhas eleitorais.
Construtores e profissionais ligados à construção civil que conheço sabem que não sou extremista, retrógado nem contra o desenvolvimento social e econômico. Tenho, isto sim – assim como a maioria deles – a plena convicção que o homem é parte integrante, maior e essencial do meio-ambiente, mas tem que se desenvolver em harmonia com ele e, por isso, a responsabilidade de tornar-se nesse processo o ser com a maior sustentabilidade dentre todos. E nada mais sustentável nessa vida que o respeito às leis, ao próximo e ao Estado Democrático de Direito.

Rubens Nóbrega, em 29 de outubro de 2009.

Se as construtoras podiam muito no tempo de Cícero Lucena prefeito, agora, com Ricardo Coutinho na Prefeitura da Capital, parece que podem muito mais. Essa é a impressão do ambientalista Tavinho Caúmo, baseado em fatos reais. Semana passada, ele passou maus bocados com o barulho infernal vindo de um canteiro de obras nas proximidades de sua residência, em Tambaú.
Pediu presença e providências à Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam), para ver se interrompia o serviço que entrou pela noite e ameaçava ganhar a madrugada, com perda total do sono, do sossego e até da audição de quem estivesse nas redondezas e quadradezas, como diria alguém de quem esqueci o nome. Pois, três horas depois de espera, nada de nada nem do pessoal da Semam.
Ainda bem que o trabalho parou (por volta de nove da noite), mas deixou na vítima a sensação de abandono que acomete o cidadão quando precisa com urgência da intervenção do poder público contra algum interesse poderoso privado. A situação pela qual passou exemplifica bem a desídia governamental diante do ‘tudo posso’ de construtoras que passam feito trator por cima das leis e dos direitos alheios.
O que Tavinho denuncia acontece rotineiramente na Capital. Basta reparar como as construtoras transformam calçadas em depósitos de areia, brita, blocos cerâmicos e entulhos de todo o tipo, “privatizando o uso de um espaço público e obstruindo a livre circulação, o que obriga as pessoas, inclusive portadoras de necessidades especiais, a dividir o espaço com veículos, em pleno meio da rua”.
O fato de ‘gerar emprego’ (como se não gerasse lucro, também) não dá ao empresariado da construção civil direito algum de fazer essas coisas, muito menos desrespeitar os horários permitidos para a execução de suas obras, causando barulhos e incômodos variados aos vizinhos, testando-lhes os limites de audição e paciência ao ritmo de misturadores de brita e cimento sob a percussão de bate-estacas.
Por essas e outras, cidadãos como Tavinho Caúmo resumem e desabafam assim o que sentem na pele e nos ouvidos quando alcançados pelo poderio das construtoras: “É o retrato do poder do lobby. De um lado, o humilde contribuinte, que paga apenas um valor de IPTU; do outro, os pagadores das famosas Outorgas Onerosas e de Taxas e Impostos que sustentam a máquina municipal. Confronto de David e Golias, separados por um poder público pífio no cumprimento de suas obrigações, omisso por interesses econômicos e impregnado pela obtenção de vantagens políticas”.

Rubens Nóbrega, em 27 de outubro de 2009.

Trago hoje a segunda e última parte do texto de Tavinho Caúmo sobre a falta de vergonha de nossas autoridades no trato do problema da poluição sonora na Paraíba, particularmente na Capital.
Ontem, ele mostrou que não precisamos de mais leis para proteger as pessoas de bem contra o crime ambiental que é o barulho além do suportável, geralmente produzido por equipamentos sonoros operados por debocis.
Nesta coluna, o ambientalista mostra que nossas autoridades são muito ágeis quando se trata de posar para lentes e flashes e produzir manchetes para anunciar que vão fazer o que nunca fizeram nem fazem.
Deixo vocês de novo com Tavinho Caúmo, a partir deste ponto.

Estamos cansados de mentiras! Lemos um festival de manchetes, mas que não passam disso.
Em agosto de 2005, o Curador do Meio Ambiente José Farias disse estar processando o Secretário de Segurança Pública do Estado por conta da omissão da Polícia, que não coíbe o crime de poluição sonora. E deu no quê?
Em janeiro de 2006, a Prefeitura da Capital lançou uma campanha contra a poluição sonora que nem ela mesma respeitou. E deu no quê?
Em junho de 2006, a Semam anuncia a assinatura de convênio com o Detran para combater a poluição sonora. E deu no quê?
Em julho de 2006, a Semam e a Emlur iniciaram operações conjuntas para coibir a poluição sonora e visual. E deu no quê?
Também em julho de 2006, anunciou-se um força-tarefa com a participação de Ministério Público, Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia, e Meio Ambiente, PBTur, procuradoria Geral do Município, Semam, Secretaria de Turismo da Paraíba, Sedurb, Setur e Sudema. E deu no quê?
Ainda em julho de 2006, anunciou-se uma comissão com a Procuradoria Geral do Estado, Curadoria do Meio Ambiente, Semam, Emlur, STTrans, Sudema, Seds e Sctma. E deu no quê?
O chamado Fórum de Tambaú (especialmente depois que o secretário Guilherme Almeida foi substituído por Ivan Burity) deu no quê?
Em setembro de 2006, o Ministério Público disse que iria exigir projeto acústico das casas noturnas de João Pessoa. E deu o quê?
Em novembro de 2006, a Semam firma convênio com a STTrans para reforçar a fiscalização contra a poluição sonora. E deu no quê?
Em maio de 2007, o então vereador Fuba, um dos grandes incentivadores da poluição sonora em João Pessoa, anuncia um projeto que vai disciplinar o abuso sonoro de veículos. E deu no quê?
Em dezembro de 2007, foi aprovada a lei do então vereador Fuba contra o som abusivo dos veículos. E deu no quê?
Em julho de 2008, foi anunciada uma nova força-tarefa (PM, Semam, Sedurb e Guarda Municipal) para fiscalizar a poluição sonora. E deu no quê?
Tudo deu em nada! Não fosse a denúncia encapada pela coluna, da qual tive o prazer de fazer parte, nas eleições de 2006, nada teria sido feito, nem pela Semam, nem pelo TRE, em termos da insuportável poluição sonora durante aquela campanha.

Mau exemplo
(Concluindo, com o texto do colaborador)
Por mais que a Deputada Iraê Lucena (por quem tenho grande respeito e apreço) colabore com novas leis, o que sempre é bem vindo, garanto que elas não faltam. Faltam sim, como já disse, pessoas com coragem de aplicar as que já existem, de contrariar interesses e de enfrentar a questão com seriedade e comportarem-se com coerência.E se alguém quiser um exemplo irrefutável, lá vai.
Imagine a cena. Uma pessoa, aniversariante do dia, decide fazer sua “festinha” numa barraca aberta no final do Cabo Branco. Como convidados, secretários da PMJP, colaboradores diretos e aqueles outros que só aparecem em radiografia escrotal. Todos, aniversariante e convidados, embalados por duas bandas se apresentando ao vivo até lá pelas quase 2 da madrugada.
Mas quem era o tal aniversariante? Ninguém menos que o prefeito Ricardo Coutinho, que parece desconhecer que o Decreto Municipal 4.793, que regula e estabelece padrões de emissão de ruídos, em seu Art. 8 diz que são “expressamente proibidos os ruídos provenientes da execução de música ao vivo em estabelecimentos que não disponham de estrutura física adequada para o acondicionamento do ruído em seu interior, tais como trailers, barracas e similares”.
Meses depois, em entrevista ao Jornal Correio, no caderno especial de 422 anos de João Pessoa, Ricardo afirma que “O jogo é esse: lei é lei. Se alguém achar ruim, que mude a lei. Enquanto ela existir, como gestor, tenho que respeitá-la”.
Eis o problema. Cumpre-se o que interessa, o que dá lucro, o que traz votos e por aí em diante. Enquanto perdurar essa mentalidade, onde prostituir o meio ambiente em troca de qualquer vantagem seja norma, a poluição sonora na Capital não tem solução.

Rubens Nóbrega, em 22 de janeiro de 2009.

O texto a seguir não é meu. Gostaria muito que fosse. Pela qualidade, oportunidade, seriedade e contundência com que o autor, o ambientalista Tavinho Caúmo, cuida do problema da poluição sonora na Paraíba, particularmente na Capital.
O tema, recorrente nesta coluna, desta vez será tratado em dois capítulos, hoje e amanhã. Isso porque a contribuição de Tavinho não cabe em apenas uma edição e é relevante demais, valiosa além da conta, para ser cortada, condensada ou editada.
Qualquer tentativa de espremer e fazer o texto caber de uma vez faria do colunista mutilador de um patrimônio intelectual que tenho a felicidade de compartilhar com os leitores possíveis. Quer ver? Leia e me diga depois se não tenho razão.
Vamos ao que escreveu Tavinho Caúmo. É com ele, a partir deste ponto.

Minha intenção era a de só tornar ao assunto na próxima quarta-feira, como prometi, juntamente com os demais aspectos que critiquei recentemente. Porém, frente à proposta do “debocilhódromo” (exposta aqui no último sábado, 17), fruto de um leitor desinformado e sem noção alguma de cidadania, do tipo que delira sem ter febre, me vejo obrigado a antecipar alguns comentários, como segue.
Todo e qualquer cidadão brasileiro, paraibano inclusive, deve ter o seu sossego e sua saúde respeitados e está protegido das perturbações sonoras por legislação federal e estadual, incluída a Constituição Federal. O que não se enquadrar em perturbação do sossego alheio (art. 42 da Lei das Contravenções Penais) ou no Direito de Vizinhança (art. 1.277 da Lei 10.406/2002, Novo Código Civil) vai certamente encontrar guarida no art. 54 da Lei 9.605/98 (Lei dos Crimes Ambientais).
Os limites de emissão de ruídos são estabelecidos pela ABNT, cuja norma NBR 10151 – Avaliação do Ruído em Áreas Habitadas, é disciplinada na Resolução N° 001 de 1990, do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente). Essa legislação é federal e aplicável em todo o território nacional. Estados e municípios podem legislar, especialmente estes últimos, suplementando-as e tornando-as mais rigorosas, de acordo com as necessidades locais.
No Estado da Paraíba, contamos com a Lei Estadual 6.757 e com o Decreto 15.357, que servem como embasamento para a atuação (?) da Sudema, órgão estadual de meio ambiente, que adota, ainda que na prática não aplique, os mesmos padrões da legislação federal.
Nossa legislação estadual, que já conta com 15 anos de idade, é relativamente boa e ao longo dos anos tem sido melhor do que a de estados vizinhos como Pernambuco e Rio Grande do Norte, que somente agora começam a legislar de forma mais moderna e efetiva na área.

Do que dispomos
(Continua e fecha, por hoje, Tavinho Caúmo)
Em agosto de 2006, produzi um pequeno levantamento da legislação municipal aplicável à poluição sonora em nosso município, que foi encaminhada aos representantes da nossa comunidade que atuam como formadores de opinião e, também, ao nosso poder público.
Ali constatei ser a nossa João Pessoa dotada de um Código Municipal de Meio Ambiente (Lei Complementar n° 029) que regula a atuação do poder público municipal de modo a assegurar a conservação e a proteção do nosso meio ambiente e mantê-lo equilibrado, o que é essencial à boa qualidade de vida da nossa população.
No Sistema Municipal de Meio Ambiente temos um órgão consultivo e deliberativo, o Comam (Conselho Municipal de Meio Ambiente) e outro executivo, a Semam (Secretaria do Meio Ambiente). Ambos contam com todos os instrumentos necessários, exceto determinação e coragem, para cumprir e fazer com que as leis sejam cumpridas.
O Decreto 4.793 – a única legislação municipal que a Prefeitura insiste em não disponibilizar para o público – regula a emissão e imissão de ruídos e vibrações. Além disso, contamos com o Código Diretor, Código de Obras e Código de Posturas, enfim, todos desrespeitados em relação à emissão de ruídos e das licenças ambientais, concedidas ou não por conveniências.
Não nos falta legislação, seja federal, estadual ou municipal. Podem não ser maravilhosas, mas todas estabelecem limites, horários, multas e punições. Não faltam instrumentos, apenas vergonha!
Nossa luta, briga ou guerra, como queiram, não é contra os debocis, contra a propaganda volante, contra os bares noturnos, contra as diversas caminhadas, contra igrejas e templos religiosos ou contra os artistas que fazem os shows na praia ou outros quaisquer.
O cidadão de bem desta cidade está em confronto é com a covardia, cumplicidade, leniência, incompetência, desinteresse, omissão ou outra forma qualquer que descreva a patética atuação (?) ambiental do nosso poder público municipal.

Na coluna de amanhã, Tavinho Caúmo relaciona as enganações e mentiras de quem tem a obrigação de combater a poluição sonora. Nossas autoridades transformam esse dever num faz de conta sem fim, ludibriando o distinto público com o que ele chama de “festival de manchetes”.

Rubens Nóbrega, em 21 de janeiro de 2009.

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