É realmente incrível como se exacerbam os debates que tratam das irregularidades ambientais envolvendo empresas privadas que promovem emprego, geram renda, contribuem para o desenvolvimento urbano, sejam construindo ruas, hospitais, maternidades, casas populares ou prédios de luxo.

Entretanto, quando a discussão se dá a respeito da degradação do meio ambiente nas beiras de praia e rios, comumente infestadas de barracas e casebres construídos sob as piores condições humanas, ambientais e poluindo tudo com esgoto e fezes, quase ninguém se pronuncia. É como se somente os impactos causados pelos “ricos” interessassem ao debate e às críticas.

Senão vejamos: todos se regozijam com a idéia de proibir quadriciclos nas vias públicas e se calam mediante as chicotadas e maus tratos a que são submetidos os burricos de carroça. Outro dia, fui reclamar de um rapazote que chicoteava exageradamente um jumentinho, no meio da rua, que parecia estar cansado, pois não mais atendia à velocidade exigida pelo algoz, e me surpreendi com a grosseira reação do reclamado. Tal cena acontece diariamente, sobretudo perto dos mercados de bairros periféricos, mas não se ouve falar de protesto algum em nenhum setor da mídia.

Congratulam-se com a ideia de demolição de prédios “irregulares” edificados próximos ao aeroclube, comentada recentemente no grupo de discussão ambientalista “PMAPB”. Aplaudiu-se o famigerado embargo da construção de um hotel próximo ao Bargaço, mas calam-se diante da constante proliferação de barracas em terrenos de marinha, no litoral sul e norte.

Insurgem-se contra a invasão de área de mangue por um shopping center, mas postam-se indiferentes aos imensos manguezais que morrem contaminados em nossa cidade, ao longo do Rio Sanhauá, desde o Porto do Capim, Ilha do Bispo até a Praia de Jacaré e ilhas adjacentes. Criticam-se os mega-shows barulhentos em Intermares e Jacaré e nada se faz contra a terrível e permanente poluição sonora provocada pelos carrinhos de DVD-pirata (que cometem crime duplo), e pelos veículos de propaganda que diuturnamente circulam perturbando o sossego alheio em todos os bairros.

Muitos se opõem aos quiosques e jardins que proprietários de casas à beira-mar do Bessa e Camboinha cercam e preservam com tanto cuidado, mas se omitem diante das inúmeras invasões de todo tipo de bar e choupanas, do Seixas à Penha, Jacarapé, Gramame, Praia do Amor, Jacumã, até Coqueirinho…

Enfim, não há algo errado em nossas preocupações e discussões ambientais?… Será que as posições ideológicas, socialistas, políticas, ou pessoais estão se sobrepondo aos verdadeiros interesses de preservar a Natureza? Ou são só discriminações?…

Germano Romero

 

Publicado no jornal “Correio da Paraíba”, em 26 de fevereiro de 2010.

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