É grande a preocupação mundial sobre os programas nucleares internacionais que envolvem países como Irã, Eslováquia, Ucrânia, Bulgária e outros. Desde o último desastre, em Chernobyl, a população terrestre convive permanentemente com o medo. Todos sabem que há programas de energia nuclear precários, com manutenção deficiente, e um grande risco latente à vida humana.
O problema é que não se investe como se deveria em outras alternativas energéticas e são muitas as nações que dependem do urânio para funcionar. Na França, 75% de sua energia vêm dos reatores nucleares, embora seja o país que trata o lixo atômico com tecnologia de ponta, “teoricamente” segura.  Mas, quem garante? São 36 países mantendo quase 500 reatores no mundo inteiro, a produzir energia para si e para os outros, como o Canadá, o maior exportador do mundo. O temor é grande, mas a consciência é pequena. A Suécia, que tem um povo de elevado nível, já anunciou que pretende fechar todas as suas usinas até o final deste ano, embora tenha que achar uma alternativa energética que supra suas atividades. A Itália fechou todos seus reatores após um plebiscito e a Alemanha desativou, pelo menos, o que funcionavam na parte oriental. A Rússia é um problema. Tem as piores usinas do mundo, com manutenção sofrível e tráfico ilegal de urânio. E a China, o maior comprador de urânio e tecnologia nuclear do planeta. Adquiriu recentemente um pacote de 10 reatores franceses por “apenas” 25 bilhões de dólares. Enfim, é justificada a discussão. Os Estados Unidos e demais potências do G-8 atualmente lideram o plano de sanções impostas ao Irã, com temor de que sua produção nuclear fuja do controle e não tenha tratamento devido. Mas, o que fazer? Por enquanto, não há como se trocar o consumo de energia nuclear por petróleo e carvão, principalmente numa época em que se defende, como nunca, a ecologia. Também não há como desconsiderar as grandes vantagens das descobertas atômicas, ainda que de triste memória a humanidade carregue os casos de Hiroxima, Nagazaki, Chernobyl, Three Miles Island. Na verdade, o mundo tem uma “bomba” nas mãos, sem saber o que fazer. O petróleo é outro problema, até porque um dia terá fim, e muitos estragos vem causando, tanto com poluição de gases quanto com os desastres como esse, em curso no México. A única saída é voltar os olhos para o céu, ou melhor, para o sol. Uma magnífica e interminável usina que nos dá a maior das energias – a vida – e que pode vir a nos suprir com todas as outras. Se a humanidade arrefecer sua ganância lucrativa e imediatista, investir mais na tecnologia fotovoltaica, que transforma luz solar em energia, quem sabe, o “astro rei” venha, além de iluminar, salvar o seu planeta “mais querido”…

Germano Romero

 . 

Publicado na versão online do “Jornal A União”, em 29 de maio de 2010.

Anúncios