Um estudo divulgado nesta quinta-feira andou ecoando que, nos últimos anos, o comércio ilegal de madeira teve um freio generoso em países que abrigam as maiores florestas tropicais do planeta. O Brasil estava lá e, segundo os dados do instituto britânico Chatham House, de 2002 para cá, houve uma queda de 75% na exploração irregular em território nacional.

Os números são vistosos, mas não representam a realidade nua e crua da Amazônia. A falha está na metodologia usada no estudo. Para medir a produção de madeira ilegal, os pesquisadores fizeram a seguinte conta: cruzaram a quantidade de madeira licenciada por órgãos oficiais e o consumo anual doméstico e internacional. A diferença disso seria o total comercializado sem autorização.

Porém, como nos escaninhos oficiais nem tudo é preto no branco, a conta não fecha. Desde que a gestão florestal saiu das mãos do governo federal, em 2006, e foi distribuída para os estados, a farra da madeira, que havia reduzido, ganhou novo impulso. Com um controle frágil, os órgãos dão autorizações sem vistorias prévias, e planos de manejo fraudados circulam livremente, dando sinal verde para exploração inclusive em áreas onde o Ibama já havia suspendido anteriormente.

Os sistemas que controlam o fluxo de madeira em cada estado, Sisflora em alguns e DOF em outros, não conversam entre si o suficiente para impedir fraudes, gerando números imprecisos. E a corrupção que acontece nos labirintos burocráticos também não entrou na conta do estudo. No início de 2009, por exemplo, a operação Caça Fantasmas flagrou pouco mais de 100 empresas fantasmas no Pará, criadas só para esquentar madeira, ou seja, conseguir documentos para legalizar madeira retirada ilegalmente. Em junho de 2010, a Polícia Federal cumpriu prisão preventiva de 91 pessoas, a maioria no Mato Grosso. As principais fraudes desvendadas tinham madeira envolvida.

Com uma gestão confusa assim, qualquer pesquisa que se apóie em números oficiais do setor ainda tem que ficar com o pé atrás. Por aqui, infelizmente, os dados ainda não são o que parecem.

Fonte: Greenpeace

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