A temporada das queimadas já começou na Amazônia. Quando os meses de junho e julho despontam no calendário, a chuva dá uma trégua, a região fica seca e a fumaça começa a aparecer nos céus. Geralmente, ela quer dizer uma coisa: tem gente “limpando” o terreno para a agropecuária.

Se as queimadas são comuns pelo segundo semestre, este ano a fumaceira começou mais cedo. Só no Mato Grosso, o número de focos registrados por satélite chegou a 2146 até o último mês. O número é quase o dobro do que ocorreu em 2008 e 2009 no mesmo período. Com o início da temporada da seca, a curva deve aumentar vertiginosamente nos próximos meses (o gráfico abaixo mostra os focos captados até o dia 6 de julho de 2010).

Os motivos para tanto fogo este ano podem ser vários. O Plano Nacional de Combate ao Desmatamento perdeu importância no governo, os órgãos ambientais federais ficaram bons meses em greve e as eleições estão aí: o que tem de gente fazendo vista grossa para crimes ambientais, em busca de voto, não está no gibi. Enquanto isso, no Congresso, a bancada ruralista já deu o primeiro passo para detonar o Código Florestal, lei que protege nossas matas há décadas.

Por essa trilha, as emissões de CO2 não têm hora para acabar. E aí vai ser difícil explicar ao mundo esse aumento na COP-16, que acontece em dezembro no México. Na última Conferência do Clima (COP-15), Lula anunciou aos quatro ventos que o Brasil reduziria significativamente suas emissões e, para isso, a preservação das florestas brasileiras teria de ser prioridade. Não é o que se vê…

Fonte: Greenpeace

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