A mala do carro aberta, som no mais alto volume, mesinhas, banquinhos, bebida, muita bebida, jovens embriagados… E aí de quem reclamar!
Claro que o cenário e seus personagens sugerem a qualquer um que se trata de um bando de debocis infernizando o sossego alheio, agredindo a audição de quem mais precisa de silêncio.
Evidente que algo assim só pode acontecer na Capital ou nas cidades da região metropolitana de João Pessoa, onde a poluição sonora é tão grande quanto a omissão das autoridades que deveriam reprimir esse absurdo.
Não tem Polícia, não tem Ministério Público, não tem Sudema, não tem Semam. Em João Pessoa, quem manda são os poluidores. E estamos conversados!
Lógico que, pelo conjunto da obra, a cena retrata um evento comum, rotineiro, nas madrugadas dos finais de semana na Calçadinha do Cabo Branco ou em algum bar do subúrbio.
Aí é que você se engana, meu amigo. Por incrível que pareça, tudo isso estava ou ainda está acontecendo dentro de um Centro Universitário.
Precisamente, no campus do Centro Universitário de João Pessoa, o Unipê, onde um grupo de alunos resolveu perturbar um ambiente de estudo com a farra a mais barulhenta possível, principalmente nas sextas-feiras.
Mas, aí, a maioria silenciosa e apreciadora do silêncio resolveu reagir. Organizou abaixo-assinado, cobrou providências da direção do estabelecimento e ao que tudo indica não vai mais rolar a festa para a turma da zoada.
O barulho que eles fazem ou faziam incomodou particularmente uma aluna que semana retrasada me encaminhou denúncia que repassei à Assessoria de Comunicação do Unipê e ontem veio a resposta que transcrevo adiante.
Antes, uma palinha do que mandou a aluna. Pelo visto, além de estudiosa a moça é muito talentosa em matéria de escrever.

O que disse a aluna
Caro Rubens, recorro à sua coluna para tornar público e requerer providências em relação a um verdadeiro absurdo verificado praticamente todas as noites no Centro Universitário de João Pessoa – Unipê: a guerra de som.
A falta de respeito acontece geralmente a partir das 20h30, próximo aos blocos E e Q, além de em frente ao Diretório Central Estudantil e demais Diretórios Acadêmicos, que (pasmem!) deveriam zelar pelas condições e excelência do ensino oferecido aos alunos.
Festas regadas a música de péssima qualidade em alto volume, vomitada por sons dos automóveis de alunos que ingerem altas doses de bebidas alcoólicas em pleno horário das aulas! As garrafas permanecem no jardim e estacionamento para quem quiser ver…
A atitude, no mínimo egoísta, tem gerado grandes problemas de rendimento, tanto para professores quanto alunos, em pleno início do semestre.
E o que mais nos deixa perplexos é a falta de atitude da instituição a respeito desse assunto. Representantes de turma informam que, após questionar a coordenação de seu curso, tiveram a resposta surpreendente de que os vigilantes contratados pelo Centro têm receio de ser agredidos pelos “festeiros mal-educados”, os quais até já teriam desafiado um coordenador a desligar o som ele próprio “se fosse homem”. O máximo da falta de respeito!
A solução sugerida foi a de que os alunos incomodados elaborem um abaixo-assinado para ser apresentado ao reitor. Mas será que isso é necessário? Será que o Unipê não tem condições de gerir essa situação, primando pelo ensino que oferece?
Enquanto isso, a Sudema é chamada para aferir os decibéis que agridem não só os tímpanos, mas o raciocínio dos alunos. Os mesmos que, na maioria das vezes, pagam caro para estudar e querem ter, sim, o direito de pelo menos assistir às aulas em paz. Se a Sudema apareceu, ninguém soube, já que não houve resultados.
Enfim, fica o apelo para que medidas sejam tomadas pelo Unipê acerca de uma realidade que jamais deveria acontecer, especialmente em uma universidade.

O que diz o Unipê
O diretor-secretário e secretário geral de Ensino do Unipê, professor Paulo Augusto Trindade Padilha, que também coordena a Comunicação do Centro Universitário, revela a seguir as medidas em curso para resolver o problema.

Prezado jornalista, estamos tentando junto à empresa de segurança que cuida do campus identificar os responsáveis por liderar ações de indisciplina que vão de encontro às normas da Instituição.
Informamos, ainda, que a Instituição se reuniu ontem à tarde (8) com lideranças estudantis para decidir medidas mais rigorosas e vamos voltar a tratar desse assunto nesta sexta-feira, dia 10, com o magnífico reitor, professor José Loureiro Lopes, na Reitoria, onde levaremos algumas sugestões discutidas com essas lideranças.
Aproveitamos para informar que a Resolução n° 17/2001 do Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão do Unipê (Consepe) é clara quando fala da proibição de bebidas alcoólicas e aparelhos de som dentro do campus.
A Resolução está explícita no “Manual do Aluno” (disponível no endereço eletrônico  unipe.br/downloads/manual_aluno.pdf).
Todo aluno é obrigado a cumprir as normas internas da instituição. No momento em que ele descumpre alguma norma interna, está sujeito às penalidades contidas no regimento interno do Unipê, entre elas, a não renovação de sua matrícula.
Para finalizar, informamos que o Unipê não renovou neste Semestre 2010.2 a matrícula de um aluno que foi identificado como sendo um dos responsáveis por liderar ações de indisciplina no campus.
Informamos que a instituição não irá permitir, de forma alguma, movimentos e ações desse tipo, em respeito às famílias paraibanas que confiam ao Unipê a educação dos seus filhos e aos milhares de estudantes que acreditam no nosso ensino.

Rubens Nóbrega, em sua coluna no jornal “Correio da Paraíba”, em 10 de setembro de 2010.

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