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A mala do carro aberta, som no mais alto volume, mesinhas, banquinhos, bebida, muita bebida, jovens embriagados… E aí de quem reclamar!
Claro que o cenário e seus personagens sugerem a qualquer um que se trata de um bando de debocis infernizando o sossego alheio, agredindo a audição de quem mais precisa de silêncio.
Evidente que algo assim só pode acontecer na Capital ou nas cidades da região metropolitana de João Pessoa, onde a poluição sonora é tão grande quanto a omissão das autoridades que deveriam reprimir esse absurdo.
Não tem Polícia, não tem Ministério Público, não tem Sudema, não tem Semam. Em João Pessoa, quem manda são os poluidores. E estamos conversados!
Lógico que, pelo conjunto da obra, a cena retrata um evento comum, rotineiro, nas madrugadas dos finais de semana na Calçadinha do Cabo Branco ou em algum bar do subúrbio.
Aí é que você se engana, meu amigo. Por incrível que pareça, tudo isso estava ou ainda está acontecendo dentro de um Centro Universitário.
Precisamente, no campus do Centro Universitário de João Pessoa, o Unipê, onde um grupo de alunos resolveu perturbar um ambiente de estudo com a farra a mais barulhenta possível, principalmente nas sextas-feiras.
Mas, aí, a maioria silenciosa e apreciadora do silêncio resolveu reagir. Organizou abaixo-assinado, cobrou providências da direção do estabelecimento e ao que tudo indica não vai mais rolar a festa para a turma da zoada.
O barulho que eles fazem ou faziam incomodou particularmente uma aluna que semana retrasada me encaminhou denúncia que repassei à Assessoria de Comunicação do Unipê e ontem veio a resposta que transcrevo adiante.
Antes, uma palinha do que mandou a aluna. Pelo visto, além de estudiosa a moça é muito talentosa em matéria de escrever.

O que disse a aluna
Caro Rubens, recorro à sua coluna para tornar público e requerer providências em relação a um verdadeiro absurdo verificado praticamente todas as noites no Centro Universitário de João Pessoa – Unipê: a guerra de som.
A falta de respeito acontece geralmente a partir das 20h30, próximo aos blocos E e Q, além de em frente ao Diretório Central Estudantil e demais Diretórios Acadêmicos, que (pasmem!) deveriam zelar pelas condições e excelência do ensino oferecido aos alunos.
Festas regadas a música de péssima qualidade em alto volume, vomitada por sons dos automóveis de alunos que ingerem altas doses de bebidas alcoólicas em pleno horário das aulas! As garrafas permanecem no jardim e estacionamento para quem quiser ver…
A atitude, no mínimo egoísta, tem gerado grandes problemas de rendimento, tanto para professores quanto alunos, em pleno início do semestre.
E o que mais nos deixa perplexos é a falta de atitude da instituição a respeito desse assunto. Representantes de turma informam que, após questionar a coordenação de seu curso, tiveram a resposta surpreendente de que os vigilantes contratados pelo Centro têm receio de ser agredidos pelos “festeiros mal-educados”, os quais até já teriam desafiado um coordenador a desligar o som ele próprio “se fosse homem”. O máximo da falta de respeito!
A solução sugerida foi a de que os alunos incomodados elaborem um abaixo-assinado para ser apresentado ao reitor. Mas será que isso é necessário? Será que o Unipê não tem condições de gerir essa situação, primando pelo ensino que oferece?
Enquanto isso, a Sudema é chamada para aferir os decibéis que agridem não só os tímpanos, mas o raciocínio dos alunos. Os mesmos que, na maioria das vezes, pagam caro para estudar e querem ter, sim, o direito de pelo menos assistir às aulas em paz. Se a Sudema apareceu, ninguém soube, já que não houve resultados.
Enfim, fica o apelo para que medidas sejam tomadas pelo Unipê acerca de uma realidade que jamais deveria acontecer, especialmente em uma universidade.

O que diz o Unipê
O diretor-secretário e secretário geral de Ensino do Unipê, professor Paulo Augusto Trindade Padilha, que também coordena a Comunicação do Centro Universitário, revela a seguir as medidas em curso para resolver o problema.

Prezado jornalista, estamos tentando junto à empresa de segurança que cuida do campus identificar os responsáveis por liderar ações de indisciplina que vão de encontro às normas da Instituição.
Informamos, ainda, que a Instituição se reuniu ontem à tarde (8) com lideranças estudantis para decidir medidas mais rigorosas e vamos voltar a tratar desse assunto nesta sexta-feira, dia 10, com o magnífico reitor, professor José Loureiro Lopes, na Reitoria, onde levaremos algumas sugestões discutidas com essas lideranças.
Aproveitamos para informar que a Resolução n° 17/2001 do Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão do Unipê (Consepe) é clara quando fala da proibição de bebidas alcoólicas e aparelhos de som dentro do campus.
A Resolução está explícita no “Manual do Aluno” (disponível no endereço eletrônico  unipe.br/downloads/manual_aluno.pdf).
Todo aluno é obrigado a cumprir as normas internas da instituição. No momento em que ele descumpre alguma norma interna, está sujeito às penalidades contidas no regimento interno do Unipê, entre elas, a não renovação de sua matrícula.
Para finalizar, informamos que o Unipê não renovou neste Semestre 2010.2 a matrícula de um aluno que foi identificado como sendo um dos responsáveis por liderar ações de indisciplina no campus.
Informamos que a instituição não irá permitir, de forma alguma, movimentos e ações desse tipo, em respeito às famílias paraibanas que confiam ao Unipê a educação dos seus filhos e aos milhares de estudantes que acreditam no nosso ensino.

Rubens Nóbrega, em sua coluna no jornal “Correio da Paraíba”, em 10 de setembro de 2010.

Sou visceralmente contra qualquer tipo de proibição às manifestações políticas de toda ordem em campanhas eleitorais, mas estou muito tentado a me descartar do princípio quando o assunto – ou foco – é carreata.
Que me perdoe quem gosta, participa, organiza, promove ou financia, mas entre todos os eventos de campanha não consigo ver coisa mais chata, mais démodé, mais brega, mais kitsch, enfim, do que a tal da carreata.
Mas não é só por isso. É principalmente pela poluição ambiental, sonora e visual que causa. Carreata enche o ar de monóxido de carbono, os ouvidos de barulho infernal e os olhos de figuras e cenas de gosto duvidoso, para dizer o mínimo.
E a sensação horrível de ludibrio que deixa no contribuinte mais desconfiado? Desconfiado, sobretudo, de que no final das contas é ele quem paga a carreata. E, nesse caso, creio ser dispensável declinar as razões para tal desconfiança, não é mesmo?

Afronta à lei
Bem, como se não bastasse tudo o mais, carreatas da Paraíba, em especial nos seus maiores colégios eleitorais, transformaram-se em afronta aberta às leis de trânsito e flagrante desrespeito aos cidadãos que delas não participam.
Começa pelo fato de que muitos motoristas de carreata bebem álcool à vontade enquanto dirigem, sob olhares complacentes e as barbas de molho de policiais ou agentes de trânsito. E não pára por aí.
No último domingo, pude testemunhar na Capital o que muita gente já havia testemunhado e me contado: batedores de uma carreata bloqueando cruzamento de rua com avenida para facilitar a passagem de correligionários motorizados.
Na convergência da Beira-Rio com a Ruy Barbosa, na Torre, altura do Posto de Afrânio, por volta das 10h daquele dia vi um grupo de motoqueiros (a serviço de um candidato a deputado do PSB) fechar a pista no sentido praia-cidade.
Rapidinho formou-se fila de espera de quem nada tinha a ver com a campanha ‘socialista’ até o momento em que se viu impedido de seguir adiante porque a barreira de motos mantinha pessoas reféns dentro dos próprios carros.

Situações aflitivas
Enquanto os girassóis castigavam na Torre, no Cristo Redentor um amigo meu era forçado a esperar meia hora ou mais pela desobstrução de uma rua bloqueada por motoqueiros a serviço da carreata do PMDB.
Ainda bem que ele estava com paciência e humor para aguardar a vez de atravessar ou entrar na avenida que o levaria de volta para casa.
“Mas já pensou se eu estivesse com uma baita disenteria ou levando alguém com problema grave a um hospital?”, questionou o meu amigo, citando apenas duas das inúmeras situações que podem ocorrer com os obstruídos por carreatas.
Felizmente, não tive até ontem notícia de que uma daquelas carreatas do último domingo tenha cometido o abuso e consumado o absurdo que seria atrapalhar viaturas de bombeiros ou ambulâncias, por exemplo. Só para citar mais dois exemplos.

Farsa no ‘guia’
Carreata é o ó, diria minha filha Danuta. Sem contar aquela exibição espalhafatosa de candidatos que acreditam medir a popularidade ou intenções de voto pelos quilômetros de aborrecimento que espalham na cidade.
Outra coisa. Na maioria das vezes, carreata é pura farsa. Muitos vão às carreatas porque são forçados a, intimidados a, porque são comissionados ou aspones de Estado ou Prefeitura e temem perder a boquinha.
Já imaginou se algum fiscal do ‘home’ faz correr lista de presença na concentração?
Já outros vão às carreatas na expectativa de ganhar uma autorização de abastecimento de combustível, de lanche, almoço ou para beber de graça.
No final, a única serventia da carreata seria “gerar boas imagens para o guia”, costumam dizer fazedores de efeitos especiais dos programas de televisão dos candidatos ‘que passam’ no horário eleitoral ‘gratuito’.
Como se isso ainda enganasse os eleitores-telespectadores, que cada vez mais em maior número sabem o quanto a maioria dos acenos, sorrisos, beijos e abraços que aparece no guia não passa de armação.

Rubens Nóbrega, em sua coluna no jornal “Correio da Paraíba”, em 19 de agosto de 2010.

Aconteceu ontem na Internet, pleno 5 de agosto, o lançamento virtual da Frente Ambientallis, iniciativa do ambientalista Tavinho Caúmo.
A idéia é defender o patrimônio natural, com ou sem apoio de governo, mas intervindo e atuando conjuntamente com a sociedade civil, fazendo de tudo para “alcançar padrões sustentáveis de desenvolvimento e uma sadia qualidade de vida”.
Quem quiser aderir à Frente e dela participar basta mandar i-meio para contato@ambientallis.org, lembrando, como está no manifesto de lançamento, que a Ambientallis não tem sede física ou presencial.
“Seu único estabelecimento é o domínio registrado de internet ambientallis.org, onde a Frente divulga suas idéias e ações”, informa.
Ambientallis vai atuar localmente na Paraíba, em particular na Grande João Pessoa, “podendo estender suas ações a qualquer tempo e a qualquer parte do território nacional”.
Além disso, o prazo de duração da Ambientallis é indeterminado, podendo ser dissolvida a qualquer tempo, não cabendo, a quem quer que seja, indenizações de qualquer natureza.

Rubens Nóbrega, em sua coluna no jornal “Correio da Paraíba”, em 06 de agosto de 2010.

A confiança e colaboração de leitores altamente qualificados pontuam entre os resultados mais gratificantes do trabalho que me cabe neste espaço há mais de sete anos. Melhor ainda é saber que todos eles e elas são pessoas da melhor qualidade, o tipo de gente que faz o mais radical dos descrentes voltar a acreditar na raça humana.
O ambientalista Tavinho Caúmo, por exemplo. Dia 5 que vem, ele dará mais uma prova inquestionável de que veio a este mundo para fazer bem aos outros. Na data consagrada à fundação da Freguesia de Nossa Senhora das Neves, Tavinho vai lançar, em manifesto, a Frente Ambientalista Ambientallis.
Idéia simples e fundamental: defender de verdade um meio ambiente ecologicamente equilibrado, saudável e despoluído para todos nós e aqueles que virão depois. Quem conhece Tavinho sabe que sua iniciativa não é retórica nem bossa. Sabe também que ele não faz isso por mero quixotismo. Faz porque acredita e pratica.
E, para conhecer melhor as motivações e objetivos dessa nova empreitada, vale muito a pena reproduzir, a seguir, mensagem que ele me enviou anunciando a novidade.

“Caro Rubens, embora tenhamos estado em boa companhia, seja muitíssimo bem vindo de volta ao batente.
A escolha do jornalista Wellington Farias para ocupar a coluna foi prova – como se preciso fosse – do quanto você respeita seus leitores. Profissional competente e de opiniões qualificadas, WF deixou-me a imagem de uma aura de cidadão de primeira e de gente do bem, tal e qual o tipo que a gente gosta de ter como amigo.
Ao mesmo tempo em que desejei que sua ausência fosse longa, sinal de que o passeio e o descanso seriam muito bem aproveitados, torci pela sua volta antes do início da próxima semana, em virtude do assunto que segue.
Há cerca de seis meses, vimos trabalhando no sentido de criar um movimento, uma frente em defesa de nossos direitos, uma vez que João Pessoa por motivos diversos não tem podido contar com a atuação de suas organizações locais, usualmente sob influência político-partidária, nem desperta o interesse das grandes organizações existentes em nosso país, que tratam de temas de expressão nacional e internacional.
Vivemos de vozes isoladas, emanadas de pessoas sérias que eventualmente recebem pequenos apoios, porém insuficientes para atender ao desejo maior das pessoas de bem de nossa cidade: o cumprimento das leis e respeito ao cidadão.
Nossa tentativa é estabelecer não uma ong burocratizada e engessada por estatutos, mas sim um movimento, uma frente de cunho socioambiental, onde bastam os bons princípios e os legítimos interesses comuns da nossa sociedade.
Essa frente congrega aquilo tudo que temos defendido nos últimos anos, inclusive com o seu precioso apoio e espaço jornalístico. Para que você tome conhecimento das idéias e dos ideais segue em anexo o arquivo com o teor do manifesto, a ser lançado em 5 de agosto próximo.
Gostaria de pedir o seu apoio e cooperação, adesão e divulgação, para que possamos, agora com as vozes mais sincronizadas, continuar nessa interminável busca por uma cidadania plena e abrangente, cada vez mais em alto e bom tom.”

Claro que pode contar comigo, meu caro Tavinho. E aproveito para pedir a outros colunistas, editores, divulgadores, produtores etc., deste e de outros sistemas de comunicação, que também publiquem o manifesto da Ambientallis.
Que divulguem, de preferência, também no 5 de agosto, escolhido pelo autor para o lançamento da frente ambientalista. Naquela data, o manifesto estará à disposição de todos no sítio ambiental.wordpress.com/manifesto.

Combate aos debocis
Registro o recebimento de cópia de i-meio encaminhado por Marcus Antonio Perazzo ao Doutor Carlos Romero, que para minha alegria também tem utilizado o seu requisitado espaço neste jornal para cobrar das autoridades urgentes e enérgicas providências contra os debocis que infernizam o sossego e ouvidos alheios com malas de som a todo volume e impunidade ao gosto.
Perazzo denuncia, particularmente, o que vem acontecendo na maior avenida da Capital, a Epitácio Pessoa, mais precisamente em frente ao Colégio Infantil Evolução, onde um bar ali instalado serve infrações continuadas à Lei do Silêncio e ofensas ao direito de pessoas de bem das imediações dormirem em paz e poderem, no dia seguinte, trabalhar honesta e produtivamente.

Rubens Nóbrega, em 31 de julho de 2010. 

Do professor e jornalista Arael Menezes, mais um depoimento sobre determinadas empresas que na Capital do Estado podem agredir impunemente o direito e o sossego alheios porque acobertadas pela omissão ou conivência do poder público.

Ainda sobre suas manifestações a respeito de barulho urbano, assinale-se que as autoridades ditas “a quo” parecem completamente insensíveis ao bem estar da população, pois não se vê, em hora algum e em lugar nenhum uma ação efetiva e eficaz para combater esse abuso.
Esta semana, mesmo, lembrei-me desse fato, ao escutar, lá pelas 23 horas, o barulho das betoneiras e dos vibradores que faziam a concretagem da laje de um edifício que está subindo, bem próximo ao que moro, perturbando, naturalmente, a tranqüilidade e o sono de toda a vizinhança, em um procedimento que poderíamos taxar de “ato de barulho anunciado”, parafraseando o livro “Crônica de uma morte anunciada”, pois desde cedo da tarde se viam as máquinas sendo aprestadas e a iluminação feérica necessária ao trabalho noturno sendo instalada.
No fim fica-se a pensar que é uma realidade, aquilo que muitos dizem sobre ser a Paraíba, especialmente João Pessoa, um território livre, uma Tombstone tupiniquim, sem lei e sem ordem.

Rubens Nóbrega, em 04 de dezembro de 2009.

“Acho que já é hora de fazer valer os direitos dos cidadãos!”, disse-me ontem o professor e jornalista Arael Menezes, associando-se aos protestos do ambientalista Tavinho Caúmo contra as reiteradas agressões dos produtores de barulhos e desrespeitos de toda a ordem que atuam impunemente na Capital paraibana.
Além de fazer coro com Tavinho e muita gente boa que não se manifesta publicamente, mas se manifesta em privado, Arael faz parte da crescente audiência – como diria Helder Moura – que está ligada tanto na ação dos agressores como na omissão de quem deveria combatê-los, até por que tem mandato e é pago para tanto.
A intervenção de Arael Menezes veio também a propósito do debate (em torno da questão) motivo por denúncia de Tavinho Caúmo – sobre o ‘pode tudo’ de construtoras – e o contraponto oferecido pelo empresário Irenaldo Quintans, presidente do Sindicato da Construção Civil de João Pessoa (Sinduscon/JP).
Passo a transcrever o comentário de Arael. Depois eu volto.

Meu caro amigo, acabo de ler a alentada defesa que o presidente do Sinduscon faz para as atividades da construção civil, notadamente no seu aspecto de causadora de muitos dissabores aos pobres moradores desse burgo de Nossa Senhora das Neves, quase sempre totalmente desassistidos pelas autoridades, ditas competentes.
Não negando os seus méritos, principalmente em um Estado tão pouco bafejado pela roda da fortuna, como o nosso, vale lembrar que as queixas e reclamos publicizadas pelo ambientalista Tavinho Caúmo são totalmente pertinentes, pois não são poucos os dissabores que uma obra traz à comunidade vizinha e a transeuntes que por ali transitem.
É material de construção depositado na via pública, é descarga de caminhões a qualquer hora do dia ou da noite e, o pior, concretagem de lajes e colunas até altas horas da noite, com o barulho irritante do tráfego dos caminhões-betoneira e das compactadoras da mistura a prejudicar o sono e a tranquilidade da circunvizinhança.
O desrespeito à legislação vigente e aos direitos dos cidadãos é patente e a justificativa dada para a continuidade de ação desse tipo é pura “estória para boi dormir”, pois não custa nada, é apenas um procedimento simples de planejamento, programar essas atividades para início no começo do dia e não para os finais de tarde, como vemos sempre acontecer.

Outro barulho
Essa veio de um colaborador da coluna que se fez porta-voz de vizinhos da casa noturna Zelig Circus Bar, recém inaugurada na Fernando Luiz Henrique, segunda principal do bairro do Bessa, de João Pessoa.
Denuncia ele o imenso transtorno causado aos moradores por shows de humor e comédia stand up, música ao vivo, cantorias etc. que o ou a Zelig Circus oferece nas quintas, sextas e sábados, começando tarde da noite, entrando pela madrugada.
“O som e a algazarra produzidos pelos instrumentos musicais, cantorias e aplausos impossibilitam o sono e a tranqüilidade e tiram o sossego da vizinhança”, diz, ressaltando que ruim piora muito nas noites do sábado.
“É quando o trânsito fica caótico com os carros procurando estacionamento nas calçadas e, quando cai a madrugada, os freqüentadores da casa noturna saem em grupos, buzinando, dando partida em seus carros, quase todos ao mesmo tempo”, relata.
Conclui informando que os moradores estão perplexos e revoltados, sem entender como uma casa noturna, cercada por todos os lados de prédios e residências, tem alvará para funcionar com shows e música ao vivo durante a noite, após as 22h.

Penso que tudo isso poderia ser evitado se o poder público adotasse ou seguisse uma medida simples: somente permitir funcionar casa noturna com esse perfil se ela tiver isolamento acústico para limitar o som – e o barulho – ao ambiente interno.

Rubens Nóbrega, em 30 de outubro de 2009.

Faltou dizer
Causa espécie ao ambientalista a omissão do poder público diante do comportamento de determinadas construtoras que “extrapolam o imaginável quando seus engenheiros decidem que é lícito encher colunas e bater lajes até tarde da noite, ultrapassando numa eternidade os limites de ruídos permitidos pelas legislações aplicáveis aos locais e aos horários dos trabalhos”.
“Aí, deveria entrar nosso poder público, mas ele não entra. Ao contrário, desaparece e se omite, e num descaso sem pudor faz com que o errado fique certo e o certo se perca no meio dessa anarquia de valores”, ressalta, com autoridade de quem inúmeras vezes recorreu sem sucesso aos órgãos públicos que deveriam zelar pelo cumprimento das leis e respeito aos direitos dos cidadãos.
Na última vez em que precisou da Semam, para interromper o barulho de uma obra que invadiu a noite e seus ouvidos, Tavinho esperou três horas para nada, por nada. A fiscalização não apareceu, mas sorte minha que ele reapareceu para dar notícia da sua justíssima revolta e oportunidade ao debate em torno de tema importante como esse.
Só não cumpri direito a minha parte porque não reproduzi na terça o texto de Tavinho por inteiro e soneguei o fecho que merecia ter sido publicado desde então. Porque é sempre muito bom, além de relevante e pedagógico, o que ele escreve. Para me redimir com Tavinho e os leitores possíveis, eis, após os asteriscos.

É triste ter que reconhecer que, mesmo em tempos de discussões mundiais sobre mudanças climáticas, atividades sustentáveis e sociedades do futuro, aqui em João Pessoa continuamos na mesma. Afinal, na Aldeia das Neves, meio-ambiente nunca deu votos, apadrinhamento político ou recursos para campanhas eleitorais.
Construtores e profissionais ligados à construção civil que conheço sabem que não sou extremista, retrógado nem contra o desenvolvimento social e econômico. Tenho, isto sim – assim como a maioria deles – a plena convicção que o homem é parte integrante, maior e essencial do meio-ambiente, mas tem que se desenvolver em harmonia com ele e, por isso, a responsabilidade de tornar-se nesse processo o ser com a maior sustentabilidade dentre todos. E nada mais sustentável nessa vida que o respeito às leis, ao próximo e ao Estado Democrático de Direito.

Rubens Nóbrega, em 29 de outubro de 2009.

Se as construtoras podiam muito no tempo de Cícero Lucena prefeito, agora, com Ricardo Coutinho na Prefeitura da Capital, parece que podem muito mais. Essa é a impressão do ambientalista Tavinho Caúmo, baseado em fatos reais. Semana passada, ele passou maus bocados com o barulho infernal vindo de um canteiro de obras nas proximidades de sua residência, em Tambaú.
Pediu presença e providências à Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam), para ver se interrompia o serviço que entrou pela noite e ameaçava ganhar a madrugada, com perda total do sono, do sossego e até da audição de quem estivesse nas redondezas e quadradezas, como diria alguém de quem esqueci o nome. Pois, três horas depois de espera, nada de nada nem do pessoal da Semam.
Ainda bem que o trabalho parou (por volta de nove da noite), mas deixou na vítima a sensação de abandono que acomete o cidadão quando precisa com urgência da intervenção do poder público contra algum interesse poderoso privado. A situação pela qual passou exemplifica bem a desídia governamental diante do ‘tudo posso’ de construtoras que passam feito trator por cima das leis e dos direitos alheios.
O que Tavinho denuncia acontece rotineiramente na Capital. Basta reparar como as construtoras transformam calçadas em depósitos de areia, brita, blocos cerâmicos e entulhos de todo o tipo, “privatizando o uso de um espaço público e obstruindo a livre circulação, o que obriga as pessoas, inclusive portadoras de necessidades especiais, a dividir o espaço com veículos, em pleno meio da rua”.
O fato de ‘gerar emprego’ (como se não gerasse lucro, também) não dá ao empresariado da construção civil direito algum de fazer essas coisas, muito menos desrespeitar os horários permitidos para a execução de suas obras, causando barulhos e incômodos variados aos vizinhos, testando-lhes os limites de audição e paciência ao ritmo de misturadores de brita e cimento sob a percussão de bate-estacas.
Por essas e outras, cidadãos como Tavinho Caúmo resumem e desabafam assim o que sentem na pele e nos ouvidos quando alcançados pelo poderio das construtoras: “É o retrato do poder do lobby. De um lado, o humilde contribuinte, que paga apenas um valor de IPTU; do outro, os pagadores das famosas Outorgas Onerosas e de Taxas e Impostos que sustentam a máquina municipal. Confronto de David e Golias, separados por um poder público pífio no cumprimento de suas obrigações, omisso por interesses econômicos e impregnado pela obtenção de vantagens políticas”.

Rubens Nóbrega, em 27 de outubro de 2009.

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